quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

(*07/03/1969 - + 13/12/2017) - Warrel Dane nos deixou


Em geral, somos pegos pelas notícias ruins de assalto, e ficamos muito deprimidos. E como sempre cito, o Metal Samsara não gosta de dar este tipo de notícia. É triste demais...

No dia de hoje, 13/12/2017, chegou a notícia que Warrel Dane, lendário vocalista do SANCTUARY e do NEVERMORE, não está mais entre nós...

Um enfarte fulminante o tirou de nós em um momento em que ele estava no Brasil, gravando seu novo álbum solo, acompanhado de músicos brasileiros, os mesmos que o acompanhavam em suas turnês solo.


Em seus 48 anos de vida (veio ao mundo em 1969), dono de um jeito de cantar extremamente pessoal, Warrel Dane integrou o SANCTUARY, nos deixando clássicos como “Refuge Denied” e “Into the Mirror Black”, e posteriormente, o NEVERMORE, onde obras-primas como “Dreaming Neon Black” e “Dead Heart in a Dead World” nasceram de seu talento. Mas não devemos chorar ou desistir, mas seguir adiante. Tenho certeza que seria isso que ele iria querer de todos nós.

O dia é de luto, mas ao mesmo tempo, lembremos quão grande é a herança musical, as músicas que nos acompanharam em momentos de dor e alegria. Mesmo porque mitos não morrem, apenas despertam do sonho chamado vida para a eternidade em nossos corações...

Sentiremos saudades de ti, de seu talento, mas ao mesmo tempo, cada vez que uma de suas canções for tocada, você estará presente, conosco...

Marcos Garcia com Warrel Dane no RJ, no show de 2014.

OM SHANTI, Mestre Warrel Dane... Parta em paz, chegue à Luz, e obrigado por tantas alegrias….

Nevermore to feel the pain
The heart collector sang
And I won't be feeling hollow for so long
Nevermore to feel the pain
The words fall out like fire
Just believe when you can't believe anymore...” 
(NEVERMORE - The Heart Collector)

Fica o vídeo de “Future Tense”, primeira música em que Warrel canta e que me tornou fã dele...

CANÁBICOS (Metal/Rock Alternativo - Araguari/MG)


Início de atividades: 2013

Discos lançados: “La Bomba” (2013), “Reféns da Pátria” (2014), “Alienígenas” (2015), “Intenso” (2017)

Formação atual: Clandestino (vocal), Murcego González (guitarra e vocal), M.M.(guitarra), Mestre Mustafá (Bateria), Pablo Vieira (baixo)


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda

Murcego Gonzales - A banda começou em 2013; eu e o Clandestino temos uma parceria nas composições há quase uns 20 anos, já haviamos tocado junto em outros projetos e estávamos com um disco gravado (La bomba), porém sem nome e sem banda. Foi quando tivemos a ideia do nome Canábicos! Apresentamos o material para os caras, sabíamos da competência e qualidade musical deles, fizemos o convite e estamos juntos até hoje com quatro discos já gravados.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Murcego - As dificuldades são várias, vão desde o lado financeiro até as oportunidades pra se tocar em eventos legais e bem produzidos. Gravar um disco de qualidade em um bom estúdio com um bom produtor requer investimento, os cachês provenientes dos shows ajudam, mas mesmo assim ainda temos que por a mão no bolso e completar (risos).  Ganhar espaço em grandes eventos e festivais também é complicado, tem muita banda de qualidade para pouco evento. Esse ano tocamos em alguns dos grandes como o Goiânia Noise, Festival Timbre e Festival Triangulice, todos com excelente público, estrutura e organização. Tocar nesses eventos é um dos principais objetivos e a grande recompensa.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Murcego - As condições aqui não são muito favoráveis, cidade pequena do interior (risos). Tem pouco espaço, pouco apoio também, apenas um pub com estrutura legal, mas a gente acaba organizando alguns eventos e festivais pra somar. Tocamos com uma certa regularidade pela região do triângulo mineiro, em outros estados os shows são mais esporádicos, mas essa frequência vem aumentando assim como o reconhecimento. Estamos bem satisfeitos.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Murcego - Acho muito injusto declararem o "fim do Metal" porque os grandes ícones deste estilo estão partindo. Suas obras continuam aqui, estão servindo e vão continuar sendo referência para várias bandas dentro do universo do rock/metal. Eu, particularmente, adoro ouvir sons setentistas de vários artistas que já se foram e usamos muito dessas referências nas composições do Canábicos. Entendo que é quase impossível criar algo que não tenha relação com o que gostamos de ouvir, os ícones se vão, mas o Metal, o Rock e suas obras ficam!


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Clandestino - Acho que principalmente o apoio da grande mídia. A proporção e disseminação do rock/metal em rádios e emissoras é quase nula comparada a outros estilos musicais. O cenário sobrevive devido à persistência dos adoradores do estilo, das bandas e organizadores de eventos que fazem o que podem pra promover e vitalizar a cultura rock/metal.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores

Clandestino - Curtam bastante o Intenso, mas também podem se preparar para o nosso novo disco porque estamos nos esforçando muito pra que seja o ponto alto da nossa carreira até aqui! É Noise!


Mais Informações:
www.monstrodiscos.com.br


Veja o vídeo de “Planeta Estranho”:

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

HEADBANGER FEST - NERVOSA, SIRIUN, VORGOK


Data: 10/10/2017
Local: La Esquina
Cidade: Rio de Janeiro (RJ)

Assessoria: - - -

Fotos: Joseph Silva (Joseph Silver Photographer)
Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um domingo quente, já mostrando as altas temperaturas que esperam a cidade do Rio de Janeiro neste verão que se aproxima. Mas nem por isso o Headbanger Fest, evento marcado para o dia, deixou de ter um público muito bom. Sinal que o cenário da cidade está, depois de muitos problemas e um clima tenebroso, se recuperando aos poucos.

No evento, 3 bandas: a revelação do Thrash Metal carioca VORGOK (RJ), o Extreme Progressive Metal do SIRIUN (RJ), e as rainhas do Thrash Metal nacional, o NERVOSA (SP).

Este autor ainda não conhecia o La Esquina, logo, merece uma descrição. É uma casa muito boa, com aclimatação (tanto que os efeitos do calor da tarde e noite não eram sensíveis em seu interior), três andares e um clima intimista semelhante a um pub. Mas o espaço é muito bom, atende as necessidades de eventos de pequeno e médio porte, e tende a melhorar ainda mais com o tempo.

A organização do evento, feita pela Headbanger Produções, foi um primor: som de boa qualidade, ingressos a preços acessíveis, todo o merchand das bandas disponível logo após a abertura da casa (ponto para as meninas, educadas e com atendimento de primeira), e sem os tradicionais estresses de última hora. Tudo nos conformes e com muito profissionalismo.

Abrindo a tarde, veio o VORGOK.


Edu Lopez (vocais, guitarras), Bruno Tavares (guitarras, backing vocals), João Wilson (baixo) e Marvin “Barba” Tabosa (bateria) mostraram um Thrash Metal cheio de energia, direto e duro, esbanjando uma agressividade enorme.

O VORGOK tem sua referência em nomes como SLAYER, EXODUS e outros nomes mais brutais da Old School do gênero, mas faz suas músicas de uma maneira bem particular, e mesmo algumas influências de Death Metal lá dos primórdios, de nomes como CELTIC FROST e DEATH aparecem aqui e ali. E sim, é cheio de personalidade!

A postura de palco foi um pouco parada pelas dimensões do palco, exceto Bruno que não parava de agitar, um verdadeiro turbilhão de cabelos para todos os lados. Mas o batera Marvin encaixou como uma luva na banda, tendo uma pegada mais brutal e firme, casando bem com o baixo de Wilson. E Edu mostra bom domínio de palco, se comunicando bastante com a plateia.

E ver a banda tocar canções de seu primeiro álbum, “Assorted Evils”, ao vivo, não tem preço. Usando o início de “Mass Funeral at Sea” como introdução, eles entraram em um ritmo insano de peso e velocidade em “Deception in Disguise”, seguida da insana “Hunger” e desceram a marreta, até fecharem com “Man Wolf to Man”.

Um belo set, e uma certeza: o VORGOK é daquelas bandas que todos devem ver uma vez na vida.

Haja pescoço!





Setlist:

1.      Mass Funeral at Sea (intro)
2.      Deception in Disguise
3.      Hunger
4.      Antagonistic Hostility
5.      Last Nail in Our Coffin
6.      Kill Them Dead
7.      Hell’s Portrait
8.      Headless Children
9.      Man Wolf to Man

Depois de um tempinho para beber uma água e aproveitar para respirar, foi a vez do SIRIUN vir mostrar seu trabalho.


Muitos fãs ficaram surpresos com o Extreme Progressive Metal da banda, já que o som não era a mesma proposta das outras. Mas foram bem aplaudidos e seu trabalho conquistou fãs.

Alexandre Castellan (vocais, guitarras), Elvis Damigo (guitarras), Ricardo Amorim (baixo), e Braulio Drumond (bateria) mostram energia e coesão, e vejam que em termos técnicos, o trabalho do quarteto é bem exigente. Mas uma coisa é preciso dizer: ao vivo, o grupo soa mais solto, mais agressivo e cheio de energia que no estúdio. E isso é bom, muito bom.

Alexandre se comunica bem, além de tocar e cantar bem ao vivo, enquanto Elvis fica mais concentrado nas guitarras. Ricardo agita sem parar, é uma casa de força. Já Bráulio, para quem conhece, sabe que é um dos melhores bateristas do Brasil, seguro, tocando com técnica absurda e muito peso.

É perceptível que ao vivo a banda tem boa postura, que também ficou mais limitada pelas dimensões do palco. Mas eles fizeram um show muito bom, baseado nas canções de seu primeiro álbum, “In Chaos We Trust”, mostrando a energia pegajosa de “Intent”, “Spread of Hate” e “In Chaos We Trust”. Mas ainda levaram “Spheres of Madness”, do DECAPITATED. E foram bastante aplaudidos pelo público presente.

Uma banda ótima ao vivo, verdade seja dita!





Setlist:

1.      Intent
2.      Mass Control
3.      Spread of Hate
4.      Infected
5.      Spheres of Madness
6.      In Chaos We Trust
7.      Transmutation

Mais um intervalo para todo mundo poder dar aquela descansada, mas a casa ficou ainda mais cheia quando o NERVOSA se preparava para fechar a noite.


Alguns acertos finais nos equipamentos levaram a banda a atrasar o início de sua apresentação, mas nada grave. Afinal, Fernanda Lira (baixo, vocais), Prika Amaral (guitarras, backing vocals) e Luana Dametto (bateria) compensariam isso com um show abusivamente cheio de energia.

Sim, as Primeiras Damas do Thrash Metal brasileiro mostraram o motivo de serem tão respeitadas fora do Brasil: profissionalismo aliado a músicas de primeira e muita simpatia.

Fernanda é insana no palco, agitando e fazendo caras e bocas que se percebe vir da espontaneidade, fora uma comunicação ótima com o público (e obviamente canta e toca muito bem). Prika é mais concentrada nos riffs e solos, mas também agita bastante. E Luana é uma baterista de boa técnica, mas muito peso (essa moça parece ter mãos e pernas de chumbo, tamanha a força que coloca no tocar o instrumento).

Momento inusitado: alguém dentro da casa imitava um cão latindo perfeitamente, até que outra pessoa começou a cantar “É a NERVOSA”, e o imitador levou os latidos no ritmo do conhecido Rap “Who Let the Dogs Out”, do BAHA MEN. Muito engraçado, divertidíssimo e valeu pelas risadas e descontração.

Musicalmente, a banda revisou o EP “Nervosa”, de 2102, mais os discos “Victm of Yourself” e o mais recente, “Agony”, lançando mão de músicas de todos. “Hypocrisy”, a destruidora “Arrogance”, a clássica “Death!”, além de “Masked Betrayer”, a brutal “Hostages” e “Into Moshpit” fizeram surgir uma roda de slamdancing surgir e durar durante todo o show delas. Merecidamente aplaudidas e ovacionadas, o NERVOSA mostra cada vez mais que a representatividade das mulheres no Metal só faz bem.





Setlist:

1.      Hypocrisy
2.      Arrogance
3.      Surrounded by Serpents
4.      Failed System
5.      Death!
6.      Intolerance Means War
7.      Masked Betrayer
8.      Hostages
9.      Victim of Yourself
10.  Guerra Santa
11.  Theory of Conspiracy
12.  Uranio em Nos
13.  Into Moshpit

No mais, um ótimo evento, com um público muito bom.


Este autor gostaria de agradecer de todo o coração a Guilherme Guerra (da Headbanger Produções) por tornar a cobertura possível, e a Joseph Silva (da Joseph Silva Photographer) por nos conceder autorização para o uso das fotos.

E que venha agora o evento dia 25/02/2018, com KRISIUN, FORCEPS e ENTERRO!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

THUNDERSPELL (Heavy Metal - Belém/PA)


Início de atividades: 2010

Discos lançados: “Battle Scream” (2015)

Formação atual: Hugo Andrey (guitarra), Leo Rodrigues (vocal), Bruno Tavares (guitarra), Paulo Wallace (Bateria), Bruno Gibson (baixo)

Cidade/Estado: Belém/PA




BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

A Banda foi formada na cidade de Belém do Pará no ano de 2010 pelo Hugo Andrey. Por possuir um gosto muito forte por bandas de heavy metal, Hugo Andrey que também tocava e uma banda antiga e muito conhecida na cena local e nacional chamada Retaliatory (Death/Thrash), decidiu formar o THUNDERSPELL após sua saída do Retaliatory. No início da banda ocorreram muitas mudanças de integrantes, o que era natural pois o THUNDERSPELL buscava pessoas que se identificassem com a proposta musical da mesma. Após alguns anos de busca, a banda encontra estabilidade com a entrada de músicos experientes oriundos de outras bandas da cena local do metal paraense. Ficando assim com a atual formação com: Bruno Tavares (guitarra), Leo Rodrigues (vocal), Bruno Gibson (baixo), Paulo Wallace (Bateria) e Hugowar Andrey (guitarra).


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

A maior dificuldade que percebemos é a distância e o auto custo de passagens, pois moramos na região norte. Existem muitos Headbangers espalhados pelo Brasil que gostariam de nos verem tocando na sua cidade, só que a falta de apoio e a instabilidade financeira do país é uma triste realidade e torna muito difícil um produtor underground bancar tudo sozinho. Porém não desanimamos e sempre procuramos alternativas viáveis para que possam tornar possível levar o nosso som para todos os cantos do país.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Apesar de muitos dizerem que a cena está fraca em Belém eu vejo de outra forma. Acredito que a cena está muito forte e em plena ascensão. Muitas bandas locais produzindo materiais com nível profissional altíssimo, entre elas posso destacar: Methademic, Sand Crusader, Empeiria, Retaliatory, Opera Queen, etc. Durante a BATTLE SCREAM TOUR mantivemos uma boa média de shows tocamos em várias cidades e estados, que foi uma grata surpresa pois esse é o nosso primeiro álbum lançado e a aceitação por parte dos Metalheads por onde passamos foi incrível. Não temos o que reclamar da estrutura de Belém quanto das cidades por onde passamos, pois todas ofereceram um excelente suporte para banda.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

O Metal não está morrendo e nunca morrerá enquanto existirem os verdadeiros metalheads que apoiam o movimento. É claro que está ocorrendo uma transformação e uma transição natural, pois mais cedo ou mais tarde os grandes ícones do Heavy Metal mundial iram parar. Cabe as futuras gerações propagar a herança e o legado que elas estão deixando para nós. Comentários pessimistas e comparações saudosistas sempre haverão, o chamado confronto de gerações. Mas o Metal nunca morrerá.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Esse é um assunto complicado, pois envolve vários fatores, mas o principal de todos seria a falta de Apoio, seja por parte de empresas privadas, governo, mídia, público em geral etc. Falta também o próprio Headbanger brasileiro acreditar nas bandas do seu país, e valorizar verdadeiramente o que é produzido aqui.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Queria agradecer o espaço, iniciativas assim são muito importantes para as bandas undergrounds poderem mostrarem o seu trabalho. Se você ficou interessado é só procurar o THUNDERSPELL nas redes sociais (Facebook, YouTube, etc). Temos um álbum “Battle Scream” lançado de forma independente em 2015, quem quiser adquirir é só entrar em contato com a gente.

Valeu!

HEAVY METAL WILL NEVER DIE!


Links para contatos:



Links para audição:

Let Me Live Metal (clipe): https://www.youtube.com/watch?v=-fBhn82BzwM   
FirePower (Raven Cover) (clipe): https://www.youtube.com/watch?v=77DBHekXcW8  
Black Flames (clipe): https://youtu.be/8u14PUXT7P0
Entrevista2: https://youtu.be/DNL62qIhRg0

Veja o vídeo de Shadow Zone:

SIRIUN - In Chaos We Trust (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,4/10,0

Tracklist:

1.      Mass Control
2.      Infected
3.      Spread of Hate
4.      Cosmogenesis
5.      In Chaos We Trust
6.      Transmutation
7.      Intent       
8.      Becoming Aware


Banda:


Alexandre Castellan - Guitarras, vocais
Hugo Machado - Baixo

Convidados:

Kevin Talley - Bateria


Contatos:

Assessoria: http://wargodspress.net/site/ (Wargods Press)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As bandas de Metal nacional são obrigadas, desde cedo, a enfrentarem enormes dificuldades, e apenas os mais aptos e raçudos são capazes de sobreviver. É um dispositivo semelhante ao que a natureza usa para selecionar as espécies mais aptas para se perpetuarem. Nem sempre é justo, mas é assim. E uma banda que ainda se encontra nos porões do underground, mas com enormes possibilidades de crescimento, é o grupo SIRIUN, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Basta uma ouvida em “In Chaos We Trust”, disco de estreia deles, e perceber isso claramente.

Basicamente, a banda usa de tantas influências musicais diferentes que fica bem difícil de rotular o que eles fazem. É algo abrasivo e moderno, mas recheado de melodias e passagens de música oriental e toques experimentais em termos musicais. E sobram energia e agressividade no trabalho deles, logo, se preparem para serem imersos em uma experiência musical nova e tentadora.

Em poucas palavras: “In Chaos We Trust”é um disco muito, muito bom, mas bem complexo.

As mãos de Alexandre Castellan (guitarrista/vocalista e líder do grupo) estão na mixagem, na produção (dividida com Kevin Talley, baterista conhecido por seus trabalhos com SIX FEET UNDER, SUFFOCATION e CHIMAERA), e a masterização é assinada por Alan Douches. Tudo feito para que a qualidade sonora de “In Chaos We Trust” fosse a melhor possível para conseguir fundir tantas influências musicais diferentes de uma vez. E eles conseguiram, pois se existem peso e timbres instrumentais modernos, por outro a clareza não foi comprometida em momento algum, bem como a escolha dos timbres ficou ótima.

A arte da capa é assinada por Niklas Sundin, artista gráfico e guitarrista do DARK TRANQUILLITY, e essa faz uma apresentação agressiva e densa, mostrando que a banda tem por virtude ser voltada às vertentes de Metal extremo.

Musicalmente, se percebe que o SIRIUN é um grupo com ideias musicais maduras, mas com uma enorme diversidade de elementos musicais. E adicione a isso uma técnica instrumental muito boa, arranjos ótimos e uma criatividade ilimitada. Sim, o grupo é promissor, verdade seja dita.

Com 8 canções que duram, em média, 4 minutos, não é de se estranhar que “In Chaos We Trust” não soe entediante em momento algum. Mas podemos destacar o valor da técnica e abrasiva “Mass Control” (uma agressividade moderna permeia os instrumentos, mesmo nos momentos em que imperam a essência Death Metal da banda, especialmente nos riffs de guitarras), as melodias dos momentos mais limpos de “Infected” (que tem um jeitão Grooveado bem tribal, com baixo e bateria mostrando seu valor, e mesmo alguns momentos de Oriental Music surgem de forma bem espontânea), a introspecção densa, complexa e envolvente de “In Chaos We Trust” que mostra uma boa diversidade de timbres vocais sob um andamento não tão veloz, o groove ardente e moderno das guitarras em “Intent”, e a insanidade caótica de “Becoming Aware”.

Esmagador e triturador de ossos, “In Chaos We Trust” está para ganhar uma versão remasterizada em breve. E depois da gravação, se juntaram a Alexandre na banda o guitarrista Elvis Damigo, o baixista Ricardo Amorim e o baterista Bráulio Drumond.

Uma das revelações de 2017, sem dúvidas!

UFRAT - Global Devastation (Álbum)


2017
Selo: Night Hunter Records
Nacional

Nota: 8,0/10,0

Tracklist:

1.      Intro
2.      The Smell of Death
3.      Unceasing Torment
4.      Annihilator of Minds
5.      Bastard Blood
6.      Confronting Death
7.      Global Devastation
8.      Death Row
9.      Peter Killer
10.  Cruel Faith
11.  Social Chaos
12.  Voluntary Slavery
13.  Nightfear


Banda:


Caio - Vocais
Alex - Guitarras
Marcelo - Baixo
Ivan - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: https://roadie-metal.com/press/ufrat/ (Roadie Metal Assessoria)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Bandas que andam pelos caminhos do Thrash/Death Metal (ou do reverso, Death/Thrash Metal) sempre têm um enorme desafio: soarem atuais e cheias de vida.

Isso ocorre devido ao fato que muitos pegam por referências trabalhos antigos de bandas de Thrash Metal e Death Metal para criarem suas músicas, mas muitos não gostam de atualizar o que fazem, e acabam com trabalhos musicais que soam datados. Mas bandas como o UFRAT nos mostram que as possibilidades não são limitadas. Uma ouvida em “Global Devastation”, primeiro disco do quarteto, e perceberão isso.

Sujo e rascante, o trabalho deles mostra ampla influência de nomes como SLAYER, SODOM, BENEDICTION (de quem inclusive fazem um cover, “Nightfear”) e MORBID ANGEL. Óbvio que podemos aferir que o grupo é 75% Thrash e 25% Death Metal, e mesmo longe de ser algo original, mostra peso e energia como poucos. E se repararem nas guitarras, os solos possuem uma estética melodiosa interessante, com os solos mostrando um feeling mais anos 70 em alguns pontos. A base rítmica possui um trabalho muito bom em termos de peso e técnica, até um pouco incomum para o gênero. Os vocais ficam em tons agressivos entre os timbres normais e o urrado, mas poderiam explorar alguns tons mais extremos também. E do jeito que a banda é e mostra potencial, não duvido que possam ir longe.

O calcanhar de Aquiles do disco: a produção. Ela ficou mais crua que o necessário, talvez em busca de algo mais orgânico. Mas algo um pouco mais seco poderia ter tido resultados melhores. Os timbres não estão ruins, se consegue entender o que a banda está tocando, mas embora esteja bom, está fora do que o som da banda merece.

O lado gráfico da produção é simples, direto e funcional. E isso faz com que os temas de foco social das letras da banda fiquem claros. Mas ao mesmo tempo, toda a atenção fica na música deles.

E digamos de passagem, o UFRAT tem muito potencial.

Esse quarteto que vem de Ivaiporã (PR) tem identidade, peso e a capacidade de criar músicas interessantes, com passagens ganchudas e muita garra. Só algumas lapidadas que a experiência e a estrada darão, e eles estarão no ponto.

Por agora, canções como “The Smell of Death”, com seu andamento envolvente e cheio de mudanças (e reparem no solo com enfoque melódico bem feito); a energia intensa e crua que flui de “Unceasing Torment” e seu jeitão mais cadenciado e grudento, com riffs animais (e sempre os solos mostrando identidade e melodia); a força da base rítmica em “Annihilator of Minds” (baixo e bateria firmes, com boas conduções e sem deixar espaços); a curta, grossa e carregada em puro Death Metal “Global Devastation” (vocais muito bons, mas as passagens rápidas de baixo e bateria ficaram ótimas também) o peso azedo e opressivo de “Death Row” (outra exibição muito boa de guitarras); a levada Thrash/Death sedutora de “Peter Killer”; e a velocidade encorpada de “Social Chaos”. Mas a versão mais trabalhada de “Nightfear”, do BENEDICTION, ficou arrasadora.

Uma produção sonora um pouco melhor, mais uns acertos pontuais aqui e ali, e esses caras irão destruir pescoços e detonar ouvidos, com toda certeza!

SEVENTH SIGN FROM HEAVEN - Judgement of Egypt (EP)


2017
Selo: Independente
Nacional



Nota: 8,2/10,0


Tracklist:

1.      Judgment of Egypt
2.      The Devil Fears Your Name
3.      Paid on the Cross
4.      Pain in Yours Eyes
5.      The Return


Banda:

Mark Neiva - Vocais, guitarras
Álvaro Mkbrian - Guitarras
Zinha Soares - Baixo
Filhin Nascimento - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: https://roadie-metal.com/press/seventh-sign-from-heaven (Roadie Metal Assessoria)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


É interessante observar que centros em formação de bandas sem a mesma exposição ou peso de RJ, SP ou MG continuam revelando nomes interessantes em termos de Metal. E para quem não sabe, o Piauí revelou nomes históricos, como o AVALON, banda de Thrash Metal muito conhecida nos anos 90 (que havia nascido das cinzas do VÊNUS, banda de Hard Rock que chegou a lançar um EP gravado em 4 canais na segunda metade dos anos 80). E da cidade de Picos, que dista 308 km de Teresina (o que dá uma viagem de pouco mais de 4 horas), vem o SEVENTH SIGN FROM HEAVEN, um quarteto de Heavy Metal tradicional, e que estreia com seu EP “Judgement of Egypt”.

O estilo da banda é forte e vigoroso, cheio de boas melodias, e bem cheio de energia e personalidade. Refrãos que empolgam, e apesar de não trazerem nada novo ou diferente do que já conhecemos, tem valor. Os arranjos não são de extrema complexidade, bem como suas harmonias são bem construídas e consensuais, mostrando ótimas guitarras (inclusive com duetos e duelos de solos à lá JUDAS PRIEST muitas vezes), ótima base rítmica. O único porém está nos vocais, que precisam evoluir um pouco mais em termos de agressividade (embora sejam muito bons nos momentos mais lentos), embora isso não faça com que o nível do trabalho do quarteto caia.

A produção é de Carlos Magno, que apesar de não ser perfeita, está muito boa. A sonoridade é limpa, com o peso certo para a banda, e boa dose de agressividade. Os tons estão muito legais (especialmente nas guitarras), os cuidados tomados para que a banda soasse pesada e clara foram ótimos, e imaginem as dificuldades de se fazer algo assim no Brasil.

A apresentação visual, por sua vez, ficou ótima. A capa de Marcus Lorenzet ficou ótima, muito bonita e criando uma ambientação densa. E imagine isso em um Digipack de 3 folhas com um layout bem feito.

Nas cinco músicas de “Judgement of Egypt”, se percebe uma banda de muito potencial, e que mesmo tendo seus pés calcados no Metal tradicional, usa de elementos de Thrash Metal à lá METALLICA em alguns momentos. As melodias nos envolvem de tal maneira que o tempo passa em um mero piscar de olhos.

“Judgment of Egypt” é uma faixa bem trabalhada e pesada, com belo suingue e um trabalho excelente das guitarras (percebam como alguns arranjos à lá Thrash Metal surgem nos riffs, e o jeitão da NWOBHM transpira nos solos), enquanto “The Devil Fears Your Name” tem um jeitão meio acessível, uma herança do Hard’n’Heavy que os influencia, com um trabalho bem sólido de baixo e bateria. Mais introspectiva e bela é “Paid on the Cross”, que ganha uma pegada pesada no meio, mas retorna ao lado mais lento próximo do final, e justamente nessas partes mais limpas os vocais ficam muito bons. E novamente os vocais ganham destaque na acústica “Pain in Yours Eyes”, uma balada de violão e voz muito bonita e envolvente, mostrando uma diversidade interessante no trabalho do quarteto. Fechando, com um peso à lá PRIEST/MAIDEN em seus melhores momentos é “The Return”, mostrando que guitarras e base rítmica estão alinhadas perfeitamente.

Ajeitando os vocais, ninguém segura esse quarteto!