sexta-feira, 13 de outubro de 2017

MOFO - Empire of Self-Regard (EP)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Tracklist:

1. Mountain of Origin
2. Tartarus
3. Eternal Stealing of Souls
4. Black Squad
5. We Are Metal


Banda:


Emiliano Gomes - Vocais
Arthur Colonna - Guitarras
Rodrigo “Shakal” - Guitarras
Pedro Dinis - Baixo
Gustavo Melhorança - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Quando se fala em Metal brasileiro, o Planalto Central sempre foi um criadouro e tanto para nomes de peso, para bandas do primeiro time do Metal nacional. Desde a década de 80, nomes como P.U.S., DARK AVENGER, VALHALLA, MIASTHENIA e outros vão mostrando que Brasília tem potencial para se tornar um dos centros do Metal nacional. E mais um nome para agregar valor ao cenário do Distrito Federal é o do MOFO, um quinteto raivoso que coloca as paredes para tremer com seu EP de estréia, “Empire of Self-Regard”.

O trabalho da banda é baseado em um Thrash Metal oitentista agressivo e veloz, mas com influências vindas do Metal tradicional. E as músicas deles mostram levadas empolgantes de primeira, muito peso e energia, seja quando usam de velocidade extrema ou quando cadenciam os andamentos. Além disso, se percebe que o quinteto possui uma boa técnica instrumental, e diferente de muitos, a banda sabe trabalhar o som para que ele não soe repetitivo, mas sem que percam a espontaneidade. Mesmo que o Thrash Metal do grupo não seja inovador, tem muita personalidade e talento, sem contar que a energia que eles desencadeiam é algo absurdo!

Ou seja, “Empire of Self-Regard” é um ótimo EP!

A produção, gravação, mixagem e masterização do EP foram feitos pelas mãos de Caio Duarte, do DYNAHEAD, com tudo feito no Broadband Studio. A crueza é enorme, já que o trabalho musical do quinteto pede por algo dessa forma. Mas não se preocupem: é óbvio que se consegue compreender tudo que eles tocam e o que querem de suas composições.

A capa é da artista Bárbara “Jekyll” Lourenção, e é sinistra, fazendo a associação dos corruptos diretamente com as criaturas do mal, estabelecendo clara relação entre políticos e outros que se alimentam da desgraça do povo com a fonte de tudo que é perverso e ruim na mitologia cristã.

Em cinco canções, o MOFO mostra-se um dos novos nomes mais fortes do Thrash Metal brasileiro. Sim, não há exageros nas palavras, pois eles mostram criatividade e arranjos suficientes para figurarem no time dos grandes nomes do gênero por aqui.

Abrindo o EP, temos a agressiva e instigante “Mountain of Origin”, onde se percebe o alinhavo melodioso do Metal tradicional por trás da muralha de riffs e solos de primeira. A base rítmica se destaca bastante em “Tartarus”, pois baixo e bateria mostram que podem manter o peso do grupo, mas com boa técnica. A frase clássica de Ronald Reagan (ex-presidente dos U.S.A.) para o então líder a U.R.S.S., Mikhail Gorbachev, para pôr o muro de Berlin abaixo, abre “Eternal Stealing of Souls”, uma canção instigante com a presença de guitarras arrasadoras (reparem nos solos) e vocalizações de alto nível. “Black Squad” é um assalto de violência sonora com ritmos que se alternam mostrando o baixo um pouco mais técnico e bateria em alto nível. Fechando o EP, temos “We Are Metal”, outro murro nos tímpanos, mostrando harmonias intensas e muito peso, além de vocais urrados inspirados e ótimos backing vocals.

Desta forma, pode-se considerar o MOFO uma revelação da nova geração Thrasher do Brasil, sem medo.

Thrash on, e que a carnificina comece!

Em tempo: “Empire of Self-Regard” pode ser ouvido nos links abaixo:


AXES CONNECTION (Heavy Metal/Hard Rock - Porto Alegre/RJ)


Início de atividades: Fev/2013

Discos lançados: “A Glimpse Of Iluminnation” (2016)

Formação atual: Marcos Machado (guitarras), Magoo Wise (baixo), Márcio Machado (voz, teclados), Cristiano Hulk (bateria)

Cidade/Estado: Porto Alegre/RS

BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Marcos Machado: Após a minha saída da DISTRAUGHT em dez/2012 conversei com meu falecido irmão Vitor já no hospital e imediatamente após eu ter relatado minha saída ele sem pensar me convidou a remontar nosso projeto novamente. Concordei com ele mas um pouco incrédulo pela situação da doença dele que tinha se agravado. Na verdade ele sempre acreditou muito em nossas músicas, talvez até mais que eu. Nossas músicas eram todas instrumentais sem uma letra definida além de carecer de arranjos, solos e tudo mais, mas pro Vitor eram perfeitas. Com o falecimento dele um mês depois de nossa conversa sobre a volta do projeto entendi que aquela conversa era uma obrigação minha para que eu não me aposentasse, que não desistisse de tudo, apesar de ter saído após 15 anos de DISTRAUGHT. Ele provavelmente entendeu que quando eu saí da DISTRAUGHT estava sem rumo (e estava mesmo) e sugeriu o retorno de nossa banda. Então após poucas semanas da morte dele a ideia não era formar uma banda inicialmente, mas rearranjar todas as músicas e convidar alguém para colocar a voz. Simples assim. Fiz as primeiras gravações de guitarra e as primeiras baterias sampleadas com ajuda de um programa. Só depois disso que mencionei o projeto pro meu outro irmão, Márcio Machado, mas realmente sem intenção de convidá-lo. Ele ao escutar minha história se auto convidou, o que foi uma excelente surpresa. Após um tempo fomos ao Estúdio Felipe Live e começamos a mexer em algumas músicas e postamos uma foto e mencionamos o projeto. Então o Magoo Wise da mesma forma sem conhecer nenhuma música se auto convidou para entrar também. Claro que o Magoo já nos conhecia de longa data, mas foi legal saber que uma pessoa confia em ti sem nem conhecer o conteúdo do projeto musical. Eu demorei pra aceitar que alguém poderia fazer uma performance ao nível do que o Vitor executava na bateria, pois queria que a música soasse como se ele mesmo tivesse gravado a bateria. Pois através do Magoo essa pessoa apareceu depois e se chama Lourenço Gil. Teve muita sensibilidade e respeitou muito o que criei e foi além disso pois melhorou ainda mais a bateria. Então o que nos motivou a formar a banda foi primeiramente a vontade de viver de meu falecido irmão e como ele acreditava em nossa música. Eu não poderia recusar isso depois de entender que ele queria muito estar nesse projeto e gostaria que ele estivesse ativo como está agora.



BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?


Marcos: O cenário está bem difícil. Tanto para nós que estamos retomando tudo do zero como para quem já está há mais tempo e estruturado. Hoje há menos lugares pra tocar. Queremos marcar shows mas está bem complicado, mas sei que vamos conseguir.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Marcos: Como mencionei na pergunta anterior, não está nada fácil não. Reduziram-se as opções para tocar em Porto Alegre e isso atrapalha um pouco. Mas eu diria que tudo são fases. Existem altos e baixos como em tudo. O importante é não desistir.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Marcos: Eu diria que tudo tem um começo e um fim. Bandas começam e bandas acabam, porém sempre as pessoas esquecem que sempre vai haver outras bandas que vão crescer a tomar o lugar que ficou vazio de outras bandas que se foram. Por isso não acredito em fim do Metal mas em uma transformação e renovação do cenário, o que é normal e natural. Temos que conviver com os alarmistas. Tem gente que diz há muito tempo que o mundo até vai acabar. Talvez até vá, mas nem por isso as pessoas deixam de seguir suas vidas. Quantas vezes disseram que o Rock acabou? Até perdemos a conta. O Rock e o Heavy Metal estão dentro de mim e só vão morrer para mim quando eu morrer. E deve ser assim para muitos que pensam como eu. É um estilo, um meio de vida e minha religião.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Marcos: Temos um problema de ética muito sério em nossas raízes, corrupção e o escambau, mas ao mesmo tempo temos tanta gente apaixonada trabalhando com seriedade no meio que ainda acredito que as coisas podem melhorar. É meio que nadar contra a corrente, mas somente nós podemos fazer isso. Não podemos perder a esperança de que nosso cenário vá melhorar. Precisamos de mais profissionalismo e seriedade mas também precisamos acreditar mais e depois disso continuar acreditando. Somente na persistência que conseguiremos.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Marcos: Agradeço demais a essa oportunidade de estar dividindo com vocês um pouco de nossa história. Sabemos da importância fundamental de meios de comunicação como o do Metal Samsara que ajudam a manter vivo o cenário nacional. Aos fãs de Metal convido humildemente para que entrem em nosso Facebook e conheçam um pouco de nossa música. Um forte abraço a todos.

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HEAVENLESS (Thrash/Death Metal - Mossoró/RN)


Início de atividades: Janeiro de 2016

Discos lançados: “whocantbenamed” (2017)

Formação atual: Kalyl (baixo e voz), Vicente “Mad Butcher” (bateria) e Vinícius Martins (guitarra)

Cidade/Estado: Mossoró/RN


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Kalyl Lamarck: Nós três já nos conhecíamos de outros projetos paralelos, atuamos no cenário Rock/Metal local há algo em torno de uma década. Isso permitiu que os interesses em comum fossem convergindo e canalizados para a consolidação do grupo. Daí, já imaginávamos que se nos uníssemos em uma banda, algo legal poderia sair como resultado, principalmente da característica de sermos muito dedicados.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Kalyl: Nossas principais dificuldades são geográficas para tocar nos grandes centros. É uma verdadeira epopeia sair de Mossoró/RN para tocar em qualquer cidade do Sudeste, por exemplo, já que nosso aeroporto mais próximo fica há quase 300km, com acesso através de estradas perigosas e preços caros de passagens. Isso já impõe um custo e esforço muito altos para qualquer giro que pensemos em fazer.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Kalyl: Consideramos nossa cidade com uma estrutura privilegiada para produzir eventos de Metal/Rock, já que é bem localizada, pois está entre duas grandes capitais (Natal e Fortaleza), além de se compararmos a outros panoramas na região, é muito fácil conseguir local para realizar evento de Rock a um preço baixo, a exemplo do Carcará, um clube que fornece já estrutura de palco e som, sempre com ótimas oportunidades aos produtores. Isso se reflete na quantidade de bandas que passam mensalmente pela cidade. Com certeza é uma das cidades mais ativas em relação a show no Nordeste. Isso não quer dizer, claro, que seja uma produção rentável, mas tão somente viável, já que estou comparando com as dificuldades enfrentadas Nordeste afora e que são tremendas.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Kalyl: Encaramos isso como um comentário de alguém antigo, que se cansou ou não sabe onde ouvir ótimos sons. A quantidade de bandas excepcionais hoje é assustadora. Eu prefiro o cenário atual, gosto de ouvir bandas sem ter massiva imposição de gravadoras como antes, que tenham boa qualidade de gravação e uma produção independente que nos inspire.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Kalyl: Nós não conseguimos enxergar o cenário brasileiro como algo ruim. Só não podemos ignorar a questão cultural de uma população que gosta de farra, festas e a música é som ambiente; além da geografia do país que torna o translado muito caro, e do protecionismo acarretado pela questão tributária que dificultam bastante o alavanco de bandas de Metal/Rock a produzirem discos, possuírem equipamentos, viajar para fora sem, para tanto, arcarem com taxas abusivas.  No entanto, nunca conhecemos outra realidade, nos resta tentar se adaptar e superar as barreiras.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Kalyl: Agradecemos o espaço do Metal Samsara, gratidão pelo suporte! Aos leitores, queremos convocar pra tomar uma com a gente, bater cabeça e dar o sangue quando passarmos ae na sua cidade! NO GODS, NO BULLSHIT!!


Mais Informações:

HIGHER (Heavy Metal - Campinas/SP)


Início de atividades: 2012

Discos lançados: “Higher” (2014)

Formação atual: Cezar Girardi (vocal), Gustavo Scaranelo (guitarra), Rodrigo Ribeiro (guitarra), Will Costa (baixo) e Pedro Rezende (bateria).

Cidade/Estado: Campinas/SP


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gustavo Scaranelo: A banda começou com um projeto que ocorreu há 20 anos atrás, chamado SECOND HEAVEN. Esse projeto não deixou registros, então nos reencontramos quase 20 anos depois para gravar o material produzido naquela época. Quando ouvimos o resultado percebemos que havia um novo projeto nascendo, o HIGHER. Então redirecionamos o trabalho para esse novo projeto. Novas composições surgiram, assim como um tema central que está associada ao nome da banda, e então novas letras e arranjos para as composições mais antigas. Quando nos demos conta, havia um disco pronto.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gustavo: Apesar de existirem dificuldades referentes a esse mercado, sobretudo a preferência do público e de algumas casas por bandas cover, estamos mais conectados com a parte positiva disso tudo. O disco tem recebido ótimas críticas, inclusive da imprensa estrangeira. Tem sido comum ler que nosso trabalho tem uma sonoridade original, e esse a é a melhor resposta que poderíamos esperar para esse disco.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gustavo: Existem algumas casas voltadas para o gênero. Recentemente tocamos em uma casa chamada Sebastian Bar, junto com outras duas bandas de Metal autoral, e foi um evento muito legal. O público apareceu e acredito que foi uma noite especial para todos. Mas não temos tocado com muita regularidade, sobretudo porque estamos trabalhando nas composições do novo disco, e esse é o foco no momento.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gustavo: O Metal é um gênero musical e não uma instituição criada por algumas bandas. Com o fim de qualquer banda o Metal continuará existindo desde que o gênero seja praticado de alguma forma. Acredito que há uma grande confusão com relação a isso. O material deixado por essas bandas é muito maior que elas próprias, por si só. Mas as pessoas acabam se apegando aos nomes, aos personagens, e a música às vezes é esquecida. Essa jamais deixará de existir, e isso é o Metal, uma forma de fazer música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gustavo: Honestamente, não sei que significaria o cenário “dar certo”. Existe, de fato, um cenário no Brasil e isso significa que já “deu certo”, de alguma forma. Agora, é claro que isso poderia melhorar, mas novamente me pergunto o que seria “melhorar”. Falo isso porque os gêneros “underground” muitas vezes sofrem transformações quando saem da condição “underground” e emergem para uma área de maior visibilidade, e é claro que isso seria ótimo para o gênero, mas não sem um custo, ou sem consequências. Noto que quanto maior visibilidade e aceitação um gênero tem por parte do grande público, menos liberdade ele tem, mais parecido ele soa com tudo, fica mais submetido ao mercado e menos à expressão artística do grupo em questão. Mas acredito que se algo poderia trazer benefícios imensos à cena nacional seria ter o público mais interessado no Metal nacional e, claro, um maior número de bandas trabalhando com maior seriedade, investindo mais e se dedicando aos projetos com disciplina e foco. Seria uma melhora das duas partes, acho que isso já resultaria nas demais transformações: shows com melhor remuneração (ou com alguma), com melhor estrutura e maior frequência. Se existe uma demanda, os empresários (mesmo os pequenos) reagem a ela. As bandas muitas vezes esperam por isso antes de se debruçarem de fato sobre o trabalho, mas acredito no contrário, deve-se agir primeiro como um projeto ou banda grande, depois você será reconhecido e tratado como tal.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gustavo: Existem grandes trabalhos de Metal sendo feitos no Brasil e no mundo hoje. Dêem uma chance às bandas que estão surgindo, isso não significa que você deva ouvir sempre ou ir a shows de bandas das quais vocês não gostam. Mas sim aceitar o convite para uma primeira audição, não se pode dizer muito sobre o trabalho de alguém sem ouvir ao menos um disco desse grupo. A partir disso, gostem ou não, cada um irá reagir de acordo. Aproveito para agradecer todos os fãs do HIGHER e todos aqueles que tiveram ao menos alguns minutos para o nosso trabalho. Espero encontrá-los em breve num show! Obrigado ao Metal Samsara pela oportunidade de falar sobre o HIGHER!


Mais Informações:


www.youtube.com/higherMetalband


VENOM INC. - Avé (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Ave Satanas
2. Forged in Hell
3. Metal We Bleed
4. Dein Fleisch
5. Blood Stained
6. Time to Die
7. The Evil Dead
8. Preacher Man
9. War
10. I Kneel to No God
11. Black n’ Roll


Banda:


The Demolition Man - Baixo, vocais
Mantas - Guitarras
Abaddon - Bateria


Contatos:

Youtube:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma das coisas mais abomináveis que os fãs de Metal adoram fazer e são fontes de decepções que poderiam ser evitadas são as comparações. Blaze versus Bruce, Ozzy versus Dio, entre outras tantas, são sinais da eterna babaquice (me perdoem pela palavra chula, mas é de doer a paciência este tipo de coisa) que permeia o Metal. Particularmente, este autor advoga que os sentidos devem fazer o julgamento de algo como bom ou ruim sem comparações, pois assim, poderá ver algo bom e que anda procurando sem se iludir. Dessa forma, poderão entender e assimilar o ótimo “Avé”, primeiro disco do trio inglês VENOM INC., que acaba de ser lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Brasil.

Ok, todos já sabemos que a formação do trio é aquela do VENOM que lançou o “Prime Evil”, mas há uma diferença substancial: o trabalho do VENOM INC. é mais variado e diversificado musicalmente. Também não é correto rotular o trabalho do trio de Newcastle de Black Metal, uma vez que tem raízes mais profundas no Metal tradicional da NWOBHM e no Metal Punk antigo, com a agressividade na medida certa, boas linhas harmônicas e melodias em profusão. Os vocais de Demolition Man são mais variados e interpretativos (ouça “Dein Fleisch” e entenderá), os riffs de Mantas são bem mais variados tecnicamente e Abaddon está mostrando-se um baterista bem melhor que no passado. Mas é bom lembrarem que o trabalho da banda não prima pela técnica, mas pela música em si, e “Avé” é uma descarga de energia bruta e crua de primeira.

A produção de “Avé” é do próprio Mantas, bem como ele mixou e masterizou o disco. E é aqui que começam as diferenças: a sonoridade é limpa, bem acabada, com a crueza sonora vindo apenas dos timbres instrumentais escolhidos. Tudo soa claro e pesado nas devidas proporções, e a dose de sujeira que existe no disco é aquela na medida certinha para que as músicas soem agressivas e com impacto.

Em termos gráficos, Marcelo Vasco (da PR2 Designs) fez um trabalho ótimo, com uma capa bem icônica, um layout de primeira, e tudo em um formato Digipack de primeira. Só faltaram as letras, sendo esta a única queixa.

É necessário que seja dito uma vez mais: o VENOM INC. é uma banda bem mais diversificada em termos de musicalidade, e com um trabalho de primeira. Cada uma das canções é muito bem arranjada, mas sem que a banda soe sem espontaneidade e energia. Aliás, o trio é bem mais solto do que muitos poderiam esperar, e já nasceu grande, com muito a oferecer.

Embora “Avé” seja bom como um todo, se sobressaem a densa e cadenciada “Ave Satanas” com seus riffs simples e de primeira, fora sua energia assustadora; a pegada mais abrasiva à lá NWOBHM de “Forged in Hell” e o ótimo trabalho de baixo e bateria; já em “Metal We Bleed”, se percebe uma influência um pouco mais moderna em algumas partes, embora a estética da canção como um todo é bem “Old School”, enquanto “Dein Fleisch” é terrorosa e bem atípica para este tipo de gênero de Metal, cheia de melodias sombrias e vocais interpretativos de primeira (vejam como os timbres de voz são bem diversificados); aquela sonoridade causticante em um andamento mais cadenciado que surge em “Blood Stained”; o jeito ganchudo e as guitarras faiscantes de “The Evil Dead”; o caos pestilento e envolvente das melodias sombrias de “I Kneel to No God” (mais uma vez, a base rítmica está muito bem), e o hino Metal Punk de “Black n’ Roll” (outra aula dos vocais e essa vai causar dores de pescoço nos shows).

Sim, “Avé” é um discão, ótimo para todo fã de música pesada e de bom gosto.

Aproveitem que saiu nacional, antes que acabe e você fique chupando os dedos!


PARADISE LOST - Medusa (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. Fearless Sky
2. Gods of Ancient
3. From the Gallows
4. The Longest Winter
5. Medusa
6. No Passage for the Dead
7. Blood & Chaos
8. Until the Grave
9. Shrines
10. Symbolic Virtue


Banda:


Nick Holmes - Vocais
Gregor Mackintosh - Guitarra solo, teclados
Aaron Aedy - Guitarra base
Stephen Edmondson - Baixo
Waltteri Väyrynen - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar em certos nomes em termos de Metal é quase sempre uma arte, uma questão de cuidar das palavras que se usa. Isso porque alguns grupos se tornaram ou sinônimo de qualidade ou mesmo são pioneiros de uma vertente de Metal. E um dos que consegue fundir ambos os aspectos é o do quinteto inglês PARADISE LOST, de Halifax, que anda em uma fase criativa tão boa que, mesmo gravando e fazendo tours sem cessar, não perde a qualidade e vem com seu mais novo disco, “Medusa”. E a colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil nos brinda com a versão nacional.

Em “Medusa”, o grupo vem de baterista novo, já que Waltteri Väyrynen substituiu Adrian Erlandsson. Mas ele não chega a impor mudanças notáveis no trabalho musical do quinteto, que vem mais uma vez com um trabalho intenso e robusto, focado em vocais com timbres agressivos (mas não tão guturais como no passado), aquelas guitarras com riffs agressivos elegantes e solos cheios de melodias fúnebres, além de baixo e bateria estarem criando uma base rítmica bem tocada, com boa técnica, mas com muito peso. Ou seja, a banda está revendo suas origens, especialmente a dupla “Lost Paradise” e “Gothic”, como já haviam feito em “The Plague Within”. Mas dessa vez, existem canções com vocais limpos e muitas partes introspectivas, além de elementos que conhecemos de “Shades of God” e “Draconian Times”. Assim, o quinteto parece ter conseguido fundir elementos de sua fase mais prolífica, apresentando certa dualidade no álbum, e isso é ótimo.

Para a produção de “Medusa”, o grupo mais uma vez contou com a produção de Jaime Gomez Arellano, o mesmo produtor de “The Plague Within” (que ainda trabalhou na gravação, além de mixar e masterizar o disco). Óbvio que está tudo de alto nível em termos de sonoridade, sendo o ponto mais interessante é que a banda consegue soar pesada e suja, com timbres de guitarras bem carregados, mas com uma qualidade sonora de alto nível, com todos os instrumentos muito bem definidos em seus tons, o que nos permite compreender o que é tocado.

Falando da arte gráfica, a capa é muito chamativa justamente pela paleta de cores não usual, e por isso, encaixa como uma luva no contexto sonoro do quinteto. Já para o encarte, a apresentação é bem simples, mas funciona bem.

Agora, falar do trabalho que a banda faz em “Medusa” é chover no molhado. O quinteto sempre soube ser ousado, e neste disco, embora não tão ousado como na época de “Draconian Times”, percebe-se que a banda não deseja viver de passado. As músicas foram bem arranjadas, a dinâmica entre os instrumentos entre si e dos mesmos com as melodias vocais ficou muito boa, e sem falar na presença de Steve Crobar nos backing vocals em “God of Ancients” e de Heather Mackintosh também nos backing vocals em “No Passage for the Dead”.

De um lado, temos canções mais voltadas à brutalidade do passado Doom Death Metal do quinteto formando a maior parte das músicas do CD, onde se destacam a dura e fúnebre “Fearless Sky” e suas ótimas guitarras (fora os “inserts” de vocais limpos), a soturna “Gods of Ancient”, o andamento empolgante de “From the Gallows” (vejam como baixo e bateria estão bem nesta canção) e de “Blood & Chaos” (esta parece vinda de “Shades of God”, pois além das partes de vocais limpos, o trabalho das guitarras empolga), e o peso cavalar e de bom gosto da opressiva “Until the Grave”.

De outro lado, vêm aquelas canções que pegam o lado mais introspectivo e com forte carga melancólica, com vocais limpos, como na pesada e azeda “The Longest Winter” e suas melodias fúnebres envolventes, e a opressiva e intensa “Medusa”, que é cheia de detalhes de baixo e bateria de primeira, fora o solo de guitarra ser muito bom e alguns toques de teclado fortalecem a aura melancólica da canção.

A versão nacional ainda possui duas canções a mais: “Shrines” e seu jeito melancólico com vocais oscilando entre o limpo quase gótico e o gutural agressivo sobre uma base instrumental que ora é mais soturna, ora mais feroz; e a densa e bruta “Symbolic Virtue”, toda em vocais mais naturais e também com a ambientação da canção variando do introspectivo melancólico (onde alguns toques de teclado aparecem) e outras mais sujas.

O PARADISE LOST aparenta dar sinais que mudanças podem surgir mais adiante em “Medusa”, que é um disco de primeira. Mas até que o próximo disco venha, aproveitem bastante dessa versão nacional, que está de primeira!