quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

WATAIN - Trident Wolf Eclipse


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Century Media Records
Importado


Tracklist:

1. Nuclear Alchemy
2. Sacred Damnation
3. Teufelsreich
4. Furor Diabolicus
5. A Throne Below
6. Ultra (Pandemoniac)
7. Towards the Sanctuary
8. The Fire of Power
9. Antikrists Mirakel


Banda:


Erik Danielsson - Vocals, baixo
Pelle Forsberg - Guitarras
Håkan Jonsson - Bateria


Ficha Técnica:

T. Stjerna - Gravação, mixagem, masterização
Oik Wasfuk – Arte de capa e contracapa
Ketola - Artwork
E. - Artwork adicional, layout, caligrafia
Attila Csihar - Vocais adicionais em “Ultra (Pandemoniac)”
H. Death - Guitarra solo em “Ultra (Pandemoniac)”
A. Lillo - Músico convidado
Set Teitan - Músico convidado


Contatos:

Twitter:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As bandas de Metal possuem dois direcionamentos: ou elas se tornam enraizadas em torno do próprio estilo e evoluem pouco em termos musicais durante suas carreiras (o que não chega a ser algo ruim, bastando observar os exemplos do AC/DC e do MOTORHEAD para chegarem a esta conclusão), e aquelas em que a evolução é a força motriz do trabalho. Mas existem casos das bandas do segundo grupo que, por algum motivo, preferem retroceder. E esse é o caso do grupo sueco WATAIN. Toda a evolução que mostraram em “The Wild Hunt” está ausente em “Trident Wolf Eclipse”, o recém-lançado disco do trio.

Basicamente, o trio resolveu dar uma rebuscada em seu jeito cru e brutal de fazer Black Metal, lembrando um pouco o que fizeram em “Casus Luciferi” (2003) e “Sworn to the Dark” (2007). Está mais direto e ardente como antes, limando toda e qualquer evolução. Mas não entendam mal: “Trident Wolf Eclipse” é um disco excelente, mas há momentos em que se percebe que a banda se forçou a soar como em seu passado, que os famosos “mimimis” dos fãs chegaram aos ouvidos deles. Há momentos inclusive que melodias soturnas surgem, como se pode ouvir em “A Throne Below”, alguns toques Thrash/Black à lá DESTRUCTION e SODOM aqui e ali. Está ótimo, mas não é tudo que o WATAIN pode oferecer.

Basicamente, o time que trabalhou na produção do disco é o mesmo de sempre. Isso garantiu que o resultado sonoro fosse algo com a qualidade que a banda atingiu em “Lawless Darkness” e “The Wild Hunt”, ou seja, agressivo e ríspido, mas bem feito. A crueza do som vem dos tons instrumentais escolhidos, permitindo assim que os ouvintes compreendam o que a banda está fazendo. Óbvio que certo abafamento que se ouve é proposital, mas dar aquela ambientação crua e opressiva característica da banda.

Em termos de arte, a capa já mostra o que o disco tem musicalmente: uma volta às raízes musicais.

Bruto e agressivo, mesmo tendo recuado em termos evolutivos, “Trident Wolf Eclipse” ainda mostra o quanto o WATAIN tem tudo para ser um dos nomes fortes do gênero, uma liderança forte, pois apesar de mais simples, é justamente dessa forma que se percebe o talento do grupo, o que o diferencia de tantos.

A sedutora e brutal “Nuclear Alchemy” com seus riffs crus e mudanças de ritmo providenciais, o assalto opressivo de baixo e bateria mostrado em “Sacred Damnation”, a força cadenciada de “Teufelsreich” (excelente trabalho de baixo e bacteria, criando uma base rítmica segura e bem trabalhada), a ultra-agressiva “A Throne Below” e seus excelentes vocais (bem como suas belas melodias sombrias e o bom trabalho de baixo), os arranjos simples e eficazes de “Ultra (Pandemoniac)” e de “The Fire Power” formam a espinha dorsal de um dos grandes discos de Black Metal do ano.

É bom se prepararem, pois o WATAIN está de volta para causar caos e destruição, bem como para pulverizar ossos, pescoços e ouvidos!

Nota: 93%



MEDUSA TRIO - Medusa Trio 10 Anos!


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Sábado de Sol
2. Ondas Rolando no Mar
3. Guitarras Brasileiras
4. Anos 70
5. O Blues do Rock
6. Libertadora
7. Ganhar e Perder (com Willie)
8. 6 Cordas & Muitas Alegrias
9. Trem Azul (versão/Lô Borges)
10. Blues do Medusa


Banda:


Milton Medusa - Guitarras, violão
Rogério Duarte - Baixo
Luis Pagoto - Bateria


Ficha Técnica:

Milton Medusa - Produção, pré-produção
Edosn Paulino - Mixagem, masterização
Michel Téer - Capa (O Bem e o Mal)
Fernando Cardoso - Órgão Hammond em “Libertadora”, “Ganhar e Perder”, “Seis Cordas e Muitas Alegrias” e “Trem Azul”
Willie de Oliveira - Vocais em “Ganhar e Perder”
Daril Parisi - Backing vocals em “Ganhar e Perder”
Fernando Tavares - Baixo
Ronaldo Lobo - Baixo em “Blues do Medusa”
Robertinho do Recife - Guitarra solo em “Seis Cordas e Muitas Alegrias” (2º solo)
Sérgio Hinds - Guitarra solo em “Seis Cordas e Muitas Alegrias” (3º solo)
Mozart Melo - Guitarra solo em “Seis Cordas e Muitas Alegrias” (4º solo)
André Christovan - Guitarra solo em “Seis Cordas e Muitas Alegrias” (5º solo)


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A música no Brasil é algo que está ligado à formação da personalidade de cada um de nós. Não há como existir um cidadão de nosso país que diga que não gosta de algum tipo de música. E dentro do Rock e toda sua amplitude de ritmos, não é difícil ver músicos calejados mostrando sua versatilidade em trabalhos que são ímpares. Nesse modelo, vemos o grupo santista MEDUSA TRIO mostrar uma diversidade musical bem ampla e agradável em “Medusa Trio 10 Anos”, seu primeiro disco.

O trio nasceu de um convite feito ao guitarrista Milton Medusa (professor de guitarra conhecido por sua participação em bandas como V2) para um happy hour no SESC Santos. E dali surge a semente que virou o MEDUSA TRIO, que neste disco mostra-se prioritariamente uma banda instrumental (exceto por “Ganhar e Perder”, onde Willie de Oliveira, que cantou em bandas conhecidas como RÁDIO TÁXI e TUTTI-FRUTTI faz os vocais), que fazia versões instrumentais de clássicos do Pop, Jazz, MPB e Rock Progressivo. Mas como a criatividade de um músico é um bicho carpinteiro que não dá sossego, surgiram ideias que viraram composições, e aqui estão elas nas dez faixas de “Medusa Trio 10 Anos”.

A qualidade sonora do disco é ótima, mesmo sendo um disco totalmente independente. Óbvio que trabalhos instrumentais em geral primam por uma qualidade sonora que permita a perfeita compreensão dos instrumentos musicais, mas ao mesmo tempo, se percebe uma vontade de que o disco soe espontâneo e orgânico (percebam que as faixas onde Milton sola sozinho, não existem bases de guitarra sob eles). A mixagem e masterização deixaram a sonoridade clara e com boa estética.

A arte gráfica é simples e direta, mas funcional. E é muito interessante o uso de descrições de onde as ideias para as músicas foram surgindo. Isso nos permite compreender não só as canções, mas um pouco da história da banda.

Há complexidade técnica e arranjos rebuscados, mas o trabalho eclético e versátil do MEDUSA TRIO é de simples assimilação. Os arranjos e mudanças de ritmo são ótimos. Cada música é um universo distinto a ser explorado. Dessa forma, se permita ser envolvido pela música, absorva com vagar tanta beleza e vigor.

Óbvio que um disco tão homogêneo e diversificado leva tempo para ser compreendido em sua totalidade. E destacar esta ou aquela canção é quase que um ato de injustiça. Mas não há como não bater palmas para canções como “Sábado de Sol” (um típico Rock com jeitão de Blues/Jazz fascinante, aonde os solos da guitarra nos seduzem facilmente), “Ondas Rolando no Mar” e suas lindas melodias que flertam com o Pop Rock em alguns momentos, o jeitão brasileiro de ser de “Guitarras Brasileiras” (o uso de violões encaixa perfeitamente na canção, e reparem bem na versatilidade mestiça de baixo e bateria), a deliciosa levada Bluesy de “O Blues do Rock” (que inclusive já foi apresentada no “Programa do Jô”), o jeito Hard/Progressivo de “Libertadora” (o uso do velho Hammond deu um toque de classe extra à canção, e que belo solo), o Rockão envolvente e descompromissado de “Ganhar e Perder” (quem viveu o início dos anos 80 vai sentir a vibração do proto-Rock Brasil daqueles anos), a versatilidade dos 6 guitarristas em “6 Cordas & Muitas Alegrias” (sim, seis guitarristas, incluindo Milton, mostram seus estilos em solos de guitarras ótimos, e no final, os seis solam juntos), e a espontânea e apoteótica “Blues do Medusa” (que é genial, dentro do jeito eclético de ser do trio).

“Medusa Trio 10 Anos” é o típico disco que só se encontra no Brasil, onde a versatilidade musical derruba barreiras estilísticas, logo, arrume logo sua cópia e boa diversão!

Nota: 96%

BITER - The Eyes of the Biter


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Nightfall
2. Midnight City
3. Mistress of Darkness
4. Wild ‘n’ Free
5. Heavy Metal Hurricane
6. The Eyes of the Biter


Banda:


Diego Alcon - Guitarras, vocais
Jimmy Walker - Guitarras
Brian Adriano - Baixo, vocais
Anderson Bregantin - Bateria


Ficha Técnica:

Adriano Conde - Vocais
Gabriel Aguillar - Vocais
Fabiano Blator - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://infomusicpress.com/site/ (Info Music Press)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A paixão pelo Metal oitentista se justifica de várias formas, especialmente porque a diversidade que conhecemos nos dias de hoje começou justamente na primeira metade dos anos 80. O que muitos fãs ainda não compreendem é que não existem proibições sobre se fazer o dito Metal “Old School” nos dias de hoje (mesmo porque música é algo atemporal), mas trilhar por este caminho significa que você vai precisar se atualizar em alguns aspectos, para que a música não vire uma mera cópia do que já foi feito antes. Nesse ponto, o quarteto BITER, de Indaiatuba (SP) mostra que tem boas ideias e muito potencial em “The Eyes of the Biter”, seu primeiro álbum.

Em termos diretos: a banda faz uma mistura de Metal tradicional à lá NWOBHM com aspectos do Speed Metal da primeira metade dos anos 80. Ou seja, boas melodias, nível de energia nas alturas, boa técnica instrumental, mas o que mais surpreende no trabalho deles é a capacidade de pegar todos os clichês do estilo e criar algo cheio de vida. A música flui deles, e não é algo forçado, como muitos teimam em fazer. Não há um resgate ao “feeling anos 80”, mas apenas a vontade de fazer a música que eles gostam. E isso conta muitos pontos.

O ponto que causa alguns problemas é a produção sonora. Ela ficou com volume de som baixo, e soa oca muitas vezes. Talvez o produtor tenha buscado por algo mais orgânico e cru para encaixar na música do grupo, mas se poderia ter feito isso de outras formas. Mas não está de todo ruim, pois se tem a compreensão plena do que está sendo tocado. E a arte ficou muito legal, mais uma vez usando os clichês dos anos 80, mas encaixou como uma luva no que eles fazem.

O trabalho musical do BITER não busca ser inovador ou criar novas vertentes no Metal. Tão pouco vem querendo puxar o movimento para os anos 80. É algo honesto e que vem do coração, bem feito e muito espontâneo. Eles possuem uma capacidade de criar riffs e refrãos que grudam em nossos ouvidos, de tecer linhas melódicas simples e envolventes. Ninguém precisa ser inovador, não há regras quanto a isso, mas eles possuem identidade, e isso é o suficiente.

O lado musical supera os defeitos, justamente porque eles têm talento, como as seis canções do álbum testemunham. Mas é uma experiência e tanto ouvir Metalzões pesados como “Midnight City”, a energia crua e sedutora de “Mistress of Darkness” (reparem o jeitão Rock ‘n’ Roll à lá CHROME DIVISION em algumas artes, e vocais bem encaixados), o jeito germânico grudento de “Wild ‘n’ Free”, o trabalho peso-pesado de baixo e bateria em “Heavy Metal Hurricane”, e a pegada melódica suja de “The Eyes of the Biter” com seus riffs melódicos e raçudos.

Uma produção melhor da próxima vez (algo como o ENFORCER costuma usar), e ninguém segura esses sujeitos! E não foi à toa que o grupo foi escolhido para participar do Open The Road Festival Open Air, em fevereiro próximo.

Nota: 82%

MORCROF - Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae


Ano: 1999 (relançamento 2018)
Tipo: Demo CD
Nacional


Tracklist:

1. Inustus (intro)        
2. Errante       
3. The Judgment of Demigod (pt.I)
4. From Origin to Dued Cold           
5. Empírico
6. The Judgment of Demigod (pt.III)
7. The Semen of Dead God


Banda:


Ludwick Schölzel - Vocais
R’Bressan - Guitarras
Pétros Nilo - Guitarras
Naitsirch Chironomous Bontus - Teclados
Paullus Moura - Baixo, bateria, violão, backing vocal


Ficha Técnica:

Erinnys Records - Produção
Cássico Martin - Mixagem, masterização
Alberto Salomone - Capa (O Bem e o Mal)
Cris Viana - Vocais femininos
Ludwick Schölzel - Arte, design


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Nos últimos tempos, temos visto muitas bandas veteranas recuperando seus materiais antigos em relançamentos bem pensados: de um lado, eles ajudam a trazer o nome da banda à evidência sem um novo lançamento, mas ao mesmo tempo, disponibiliza material raro aos fãs mais recentes. E nisso, o MORCROF, ancião do Black Metal brasileiro, tem sido reapresentado aos fãs mais antigos e introduzido aos mais jovens. Dessa vez, seguindo o ritmo que a parceria com a Erinnys Records dita, é chegada a vez do relançamento de “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae”.

1999 é um ano em que o Brasil está ainda sob os efeitos de uma crise econômica desencadeada por problemas no oriente, e que marca o início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso como presidente do Brasil (o primeiro a ser reeleito), o blecaute de 11 de março que causou um apagão em dez estados, além de marcar o lançamento do Euro como moeda em vários países da Europa.

Em termos de Metal, 1999 é um ano em que o Black Metal no Brasil estava fervendo. Além de evidenciado pelo sucesso de nomes estrangeiros como CRADLE OF FILTH, DIMMU BORGIR, ROTTING CHRIST e outros, OCULTAN, MYSTERIIS e outros soltavam discos que são seminais para o crescimento do estilo no underground brasileiro. Este ano marca o período de expansão do Black Metal brasileiro, que irá durar até 2003 ou 2004, quando começará a regredir um pouco e ocupar seu espaço no cenário.

Para o MORCROF, a Demo Tape “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae” marca sua total adesão ao Black Metal, totalmente despido de influências de Death Metal que marcaram o início de sua carreira. O estilo está bem helenizado, ou seja, na linha ao que bandas como ROTTING CHRIST antigo, VARATHRON, NECROMANTIA e outros nomes da cena grega faziam: algo focado em uma ambientação sonora mais soturna e atmosférica, permeado de teclados sinistros, riffs cortantes, baixo e bateria em uma base rítmica sólida e trabalhada (com o baixo mostrando algumas partes mais técnicas), além de vocais urrados em tons tenebrosos. Além disso, o formato de canções mais longas delineado já em “Scientia ab Mortuus” (Demo Tape anterior) está ainda mais conciso e é a trilha que o grupo segue até os dias de hoje.

Embora ainda careça de maior refinamento sonoro, a produção é bem melhor que a maioria das bandas tinha daqueles tempos (mais uma vez: estúdios custavam muito caro, e a mão de obra de um técnico de som nunca foi algo muito acessível). Mas é nessa crueza que o trabalho do MORCROF se sobressai e ganha vida. Que poderia ser melhor, óbvio que poderia, mas isso em uma visão de hoje, não daqueles tempos românticos e árduos. E a capa nos traz a arte de “O Bem e o Mal”, de Alberto Salomone.

Em “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae”, o sexteto se mostra mais conciso, com sua música soturna adornada de momentos acústicos bem atmosféricos (como se pode ouvir na instrumental “Empírico”). Ou seja, o MORCROF começa a mostrar ainda mais diversidade e técnica, mesmo em uma época que isso era considerado um grave pecado em termos de Black Metal. Mas é aquela velha estória: há quem siga modelos, há quem os destrua para mostrar a personalidade, e o MORCROF faz parte do segundo grupo.

“Inustus” é uma introdução tétrica de teclados com alguns vocais ocasionais, seguida de “Errante”, uma instrumental de teclados lúgubres que serve como ponto de partida para a curta e crua “The Judgment of Demigod (pt.I)”, lenta e azeda até os ossos, com algumas partes bem trabalhadas. Sinistra e cheia de mudanças de ritmo é a longa “From Origin to Dued Cold”, adornada de arranjos elegantes e agressivos de guitarras e baixo, com linhas melódicas muito boas. “Empírico” é uma instrumental de violão e teclados que mostra a versatilidade da banda, um momento mais ameno e melancólico que precede “The Judgment of Demigod (pt.III)”, outra canção curta, embora um pouco mais rápida e dinâmica, mostrando a força dos vocais e da bateria. E “The Semen of Dead God” vem como um compêndio de tudo que a banda mostrou na Demo Tape, com partes acústicas, outras mais rápidas e agressivas, outras mais lentas, melodias orientais que surgem dos teclados, vocais urrando de forma interpretativa, além das guitarras estarem ótimas nos riffs e a base rítmica mostrar sua técnica e manter a diversidade musical do grupo.

Se você gosta de Metal extremo, precisa adquirir “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae” e conhecer o MORCROF. Se você tem a versão original em K7, está mais que na hora de atualizar para uma versão mais moderna e duradoura.

Nota: 90%

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ROTTING CHRIST - A Dead Poem (Relançamento)


Ano: 1997 (relançamento 2018)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Sorrowfull Farewell
2. Among Two Storms
3. A Dead Poem
4. Out of Spirits
5. As if by Magic
6. Full Colour is the Night
7. Semigod
8. Ten Miles High
9. Between Times
10. Ira Incensus
11. Sorrowfull Farewell (live)
12. Among Two Storms (live)


Banda:


Sakis Tolis - Guitarras, vocais
Costas Vassilakopoulos - Guitarras
Andreas Lagios - Baixo
Georgios Tolias - Teclados
Themis Tolis - Bateria


Ficha Técnica:

Xy - Produção, pré-produção, engenharia, teclados
Sakis Tolis - Pré-produção
Siggi Bemm - Mixagem, masterização
Carsten Drescher - Layout, Design
Fernando Ribeiro - Vocais adicionais em “Among Two Storms”


Contatos:

Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Nos anos 90, muitas bandas que eram emergentes e estavam alcançando um público cada vez maior mostravam uma nítida evolução entre os discos recentes e suas obras do passado. Óbvio que muitos fãs de longa data vieram a se decepcionar, enquanto as bandas ganhavam mais e mais fãs novos e mantinham muitos dos mais antigos. A evolução causa isso. E um dos nomes que mais mostrou a que vinha naqueles tempos foi o grupo grego ROTTING CHRIST. Após o ótimo “Triachy of the Lost Lovers” em 1996, poucos poderiam sequer imaginar o que os aguardava em “A Dead Poem”. E pela primeira vez, esse clássico enfim ganha uma versão brasileira, graças aos esforços da Cold Art Industry Records. Uma versão que vem, inclusive, comemorar os 20 anos dessa obra de arte do Metal extremo.

Na época, “A Dead Poem” teve uma acolhida calorosa por parte da mídia, mas fãs da época de “Non Serviam” e “Thy Mighty Contract” se decepcionaram um pouco. Na realidade, o lado mais soturno da música deles ficou mais polido e bem trabalhado, embora ainda agressivo. Ou seja: a música da banda ficou mais encorpada, elegante e bem feita, mostrando sutilezas e arranjos polidos, com uma genialidade que talvez eles mesmos jamais pudessem fazer novamente. Poderíamos dizer que o quarteto absorveu algumas influências do Death Metal melódico da Suécia daquela época, mais um pouco do Dark/Doom Metal em voga de então, mas sem desfigurar a essência sonora do grupo.

É a primeira vez que o ROTTING CHRIST teve uma produção de ponta. Sonoramente, a beleza instrumental de “A Dead Poem” é sem paralelo na história do quarteto, bem como o equilíbrio entre a crueza agressiva do Metal extremo e a limpeza do lado melódico deles está irretocável. E se percebe nas camadas de guitarras a riqueza de arranjos, bem como se pode ouvir cada um dos instrumentos musicais sem esforço algum. Tudo está claro e com bons timbres, mas mantendo a agressividade que faz parte da música do grupo. E na arte, pela primeira vez a banda se distancia de algo que fizesse referência ao Black Metal, inclusive é o primeiro de uma série de discos em que o logotipo clássico da banda é deixado de lado (e que só voltaria a ser usado em “Genesis”, de 2002). E que nessa versão ganhou cores mais atualizadas, mas sem descaracterizar o material original, além de um slipcase muito bonito. Esse disco merece.


Sendo o disco em que o ROTTING CHRIST começou a experimentar elementos diferentes em sua música, se ouve em “A Dead Poem” a inclusão de partes regionais e instrumentos acústicos que permeiam sua música até os dias de hoje. É também o disco que marca o fim dos estereótipos musicais do Black Metal, dos limites que muitos impunham (e até hoje teimam em impor) como essenciais. Mas quem nasceu para ser grande entende que quebrar regras faz parte da carreira, e eles não só quebraram, mas tornaram o estilo amplo e capaz de ser absorvido por muitos. Ele soa mais acessível que os discos anteriores, óbvio, mas por isso mesmo ele marca uma momento de evolução que irá guiar o grupo até os dias de hoje.

Não é difícil de compreender a surpresa e o impacto que “A Dead Poem” causou 20 anos atrás. Cada uma de suas 10 canções é uma ode ao bom gosto.

O disco abre com a clássica e trabalhada “Sorrowfull Farewell”, repleta de melodias agressivas e belas passagens de teclados, com vocais de primeira (e o timbre de Sakis mudou muito pouco desde então), a surpreendente e melodiosa “Among Two Storms” e seus belos arranjos de teclados muito bons (sem falar na presença de Fernando Ribeiro do MOONSPELL nos vocais), a mescla de passagens mais soturnas e lentas com outras mais pesadas de “A Dead Poem”, que tem um ritmo predominantemente cadenciado, e ela é rica em arranjos bem experimentais para a época (reparem como a voz sussurrada aparece bastante, fora o trabalho ótimo de Andreas e Themis ser excelente), a densa e mais simples “Out of Spirits” (mas reparem como são diversificados os arranjos de guitarras de Sakis e Costas), a densa e de melodias sinuosas “As if by Magic”, as melodias quase Classic Rock com uma pegada mais agressiva de “Full Colour is the Night”, a pegada experimental quase que Gothic Doom de “Semigod” (reparem mais uma vez como os vocais ficaram diversificados), a instrumental “Tem Miles High” é atmosférica e rica em diversidade musical e em arranjos de teclados, enquanto “Between Times” mostra algumas melodias que lembram os trabalhos mais antigos da banda (com ótimas guitarras e uma ambientação mais introspectiva), e a opressiva e melódica “Ira Incensus” que mostra arranjos acústicos interessantes junto com teclados excelentes, e novamente vocais com timbres diferentes do usual surgem, mais belas melodias das guitarras.

Mas não acabou, pois além das dez canções do lançamento original, a versão comemorativa de 20 anos ainda tem duas canções bônus: as versões ao vivo de “Sorrowfull Farewell” e “Among Two Storms”, gravadas em turnês mais recentes, que estão com uma boa qualidade sonora e um direcionamento mais agressivo, já que os teclados estão ausentes.

O aniversário é de “A Dead Poem”, o ROTTING CHRIST quis comemorar e a Cold Art Industry Records nos presenteia com essa versão, que é exclusiva do Brasil. E corram logo atrás de suas cópias, pois esta edição é limitada a 500 cópias!

Nota: 100%


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

OBSKURE - Sacrifice of the Wicked


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Sacrifice of the Wicked
2. Rise of a Despot
3. Devils


Banda:


Germano Monteiro - Vocais
Amaudson Ximenes - Guitarra
Daniel Boyadjian - Guitarra solo
Fábio Barros - Teclados
Jolson Ximenes - Baixo
Mardonio Malheiros - Bateria


Ficha Técnica:

Sem informação


Contatos:

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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas vezes, quando penso em meu passado como um Metalhead, tenho a certeza absoluta que nunca teria a mínima idéia de como o Metal iria se tornar um gênero tão amplo musicalmente e abrangente em termos territoriais no Brasil. Hoje, o nosso país tem bandas de alto gabarito por todos os seus estados, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. E também seria difícil de prever a longevidade de alguns veteranos. E um desses veteranos é o OBSKURE, um sexteto de Death Metal vindo de Fortaleza (Ceará) que detona ouvidos desde 1989. E é prazeroso saber que a banda está firme e forte, como seu recém-lançado EP, “Sacrifice of the Wicked”, está aqui para mostrar.

Firmes e fortes, o grupo não abre mão de sua música, de seu Death Metal Old School técnico e agressivo, mas cheio de passagens atmosféricas criadas pelos teclados. Óbvio que o tempo fez sua parte e foi tornando o trabalho musical deles cada vez mais conciso e lapidado, mostrando como sua música poderia render mais e mais. Logo, se percebe que no EP, a identidade musical do grupo está intocada, mas que eles voltaram tão brutais e técnicos como sempre. Óbvio que a cada lançamento eles vão evoluindo, mas nunca abrem mão daquilo que são ou de seu discurso azedo. É um tiro nos tímpanos dos mais chatos e conservadores, mas um deleite para os fãs.

Pode-se dizer que a produção de “Sacrifice of the Wicked” é a melhor que tiveram até os dias de hoje, pois é a que consegue aliar a crueza dura da musicalidade da banda com uma qualidade de audição ótima. A percepção é que os timbres continuam crus como sempre, dando agressividade extra às músicas, mas em termos de mixagem e masterização, a música soa clara, compacta e com muito peso. Na arte, tem-se o teor azedo das críticas da banda ao momento político e econômico do Brasil.

O amadurecimento da banda é evidente no EP. Em termos de composição, o OBSKURE está cada vez mais exigente, sem perder sua espontaneidade. Percebe-se que os arranjos criados para cada canção se encaixam perfeitamente, sem deixar espaços vazios. Tudo funciona em harmonia, para que a banda soa cada vez mais compactada e sólida para os ouvintes.

Belos arranjos sinistros de teclados adornam a brutalidade de “Sacrifice of the Wicked”, cheia de mudanças de ritmo que mostram o quanto baixo e bateria estão bem nesse EP. Pianos sinistros dão o início ao massacre abusivamente bruto de “Rise of a Despot”, onde os riffs das guitarras criam uma muralha compacta e sinuosa, fora os vocais variando bem os timbres guturais (que contrastam com alguns urros guturais), e na letra se percebe a dureza contra todos os políticos corruptos e ditadores. E fechando, temos “Devils”, versão do velho clássico do MOTORHEAD que está presente no CD “Going to Brazil … The Brazilian Tribute to MOTORHEAD”, lançado ano passado pela Secret Service Records, e que mostra que a banda sabe colocar sua personalidade em uma canção que não é de seu estilo (a resenha do tributo pode ser lida aqui: https://metalsamsara.blogspot.com/2017/06/going-to-brazil-brazilian-tribute-to_30.html).

Esperemos que “Sacrifice of the Wicked” seja o prenúncio de um novo álbum vindo por aí, pois já faz cinco anos desde o lançamento de “Dense Shades of Mankind”. No mais, divirtam-se, pois este EP é uma cacetada nos tímpanos!

Nota: 90%

NINNE - No Christmas Eve


Ano: 2017
Tipo: Single
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. No Christmas Eve


Banda:


Marcelo Alves - Vocais
Pedro Tavares - Guitarras
Rafael Marigo - Baixo
Herbert Loureiro - Bateria


Ficha Técnica:

Rafael Marigo - Mixagem, masterização
Rômulo Dias - Cover Artwork - Romulo Dias


Contatos:

Site Oficial: http://www.ninne.com/
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Cada vez mais as bandas têm apelado para os Singles como ferramenta de divulgação. É claro que as facilidades das mídias sociais tornou o mercado extremamente competitivo e disperso, sendo difícil alguém sobressair na avalanche de bandas e lançamentos de todos os dias. É preciso estratégia e talento para poder não ser engolido nesse dilúvio musical. O NINNE, quarteto de São Paulo, chega agora com o Single “No Christmas Eve”, mostrando que possuem estratégia mercadológica e música para irem longe.

Fazendo um Heavy Metal moderno e pesado, com muitas melodias de fácil assimilação, a banda mostra um trabalho que, mesmo não sendo inovador em termos criativos (traduzido: não inventaram uma nova vertente no Metal), percebe-se que eles têm uma identidade sonora forte, criando uma música que vem para seduzir os fãs por suas belas linhas melódicas, mas ao mesmo tempo, tem peso e agressividade sensíveis, fora muita energia.

Em termos de sonoridade, é evidente que “No Christmas Eve” foi caprichado. A sonoridade pesada e densa da banda foi adornada com uma boa dose de peso, mas com uma clareza bem grande a ponto de se compreender o que é tocado, bem como a participação de teclados e alguns cantos Gregorianos muito bem sacados. A arte, muito bem pensada, é um manifesto contra a noite de véspera de Natal.

E é justamente a arte que evidencia a inteligência do NINNE.

O Single foi lançado na época do Natal de 2017, sendo um manifesto contra a hipocrisia: todos querem presentes e guloseimas nesse dia, mas esquecem de que o Natal também significa fraternidade, e que muitos não têm presentes ou o que comer nesta noite. Ou em todas as outras do ano...

Se o lado mercadológico/ideológico da banda é forte, se percebe que a banda realmente teve uma inspiração e tanto, pois o peso e melodia de “No Christmas Eve” nos embala, fazendo com que percebamos como baixo e bateria são técnicos e seguram uma base rítmica variada, as guitarras usam um peso absurdo criando riffs modernos e melodiosos, e que os vocais são muito caprichados e de calibre pesado.

E 2018 promete ser um ano movimentado, pois vem um EP novo do NINNE por aí.

Até lá, cabe a pergunta: o que você tem feito para que todos possam ter uma noite de Natal melhor?


Nota: 88%

KRAKKENSPIT - Fear My Name


Ano: 2017
Tipo: Demo CD
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Fear My Name
2. Winds of Armaggedon
3. Love Foreve Gone


Banda:


Marcio Cruvinel - Vocais
Aldo Sabino - Guitarras
Julian Stella - Baixo
Italo Brunno - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Aqueles que possuem ouvidos bem experientes dentro do Metal conseguem reconhecer uma banda formada ou por músicos novatos ou aqueles com muitos calos dos anos. No caso dos que já estão com rodagem na estrada do Heavy Metal, alguns desses músicos são capazes de pegar uma fórmula já desgastada pelo uso e trazer para o presente de uma forma que não só convence, mas ganha fãs. O KRAKKENSPIT de Goiânia (Goiás) que o diga, já que o Demo CD “Fear My Name” merece aplausos de todos.

O quarteto tem raízes bem profundas e antigas, remetendo a grupos como o ESCOLA ALEMÃ e ao TERMINATOR, que possuíam traços mais agressivos. Já o KRAKKENSPIT é uma banda de Heavy Metal tradicional, que é permeada por passagens modernas e “Thrashy” nos moldes de um ICED EARTH ou JUDAS PRIEST. Como dito, esse jeito de se fazer música não é recente, mas nas mãos do quarto, funciona muito bem, é cheio de energia e com ótimo trabalho instrumental, rico em boas harmonias e melodias que grudam nos ouvidos.

Sim, “Fear My Name” é um ótimo trabalho.

A sonoridade criada para esse Demo CD ficou bem além das expectativas. Está bem melhor que muitos EPs oficiais que se ouve por aí, com bom equilíbrio entre as partes mais pesadas e agressivas e as linhas melódicas. E, além disso, percebe-se que o quarteto teve uma preocupação extra em se fazer entender musicalmente, logo, a clareza das músicas é bem evidente.

Agora, em termos de arte gráfica, a banda caprichou: o CD vem em uma pasta (isso mesmo, em uma pasta) semelhante àquelas em que certos documentos são entregues, com as folhas com cada letra de música separada, histórico de cada músico, e todas em tamanho A4 ou semelhante. E a qualidade do papel é impressionante.

Só que esta arte mostra uma banda ousada, que demanda que corresponda à altura na música. E eles fazem, acreditem, pois o grupo realmente tem muito potencial, soa coeso e pesado, sem deixar de ser melodioso e sedutor. Aliás, o grupo tem uma noção melodiosa incrível, mas sem negar suas raízes extremas. Por isso soa tão bom aos ouvidos.

Muitas mudanças de ritmo e doses homeopáticas de agressividade permeiam “Fear My Name” e seu andamento mais cadenciado, onde os vocais agressivos são excelentes, assim como as guitarras. Em “Winds of Armaggedon”, peso “sabbáthico” se mistura à riffs modernos, mas com forte destaque para baixo e bateria. E “Love Foreve Gone”, apesar de o nome sugerir que ela é uma balada, é uma coice de mula pesado e denso, com um andamento pesado e empolgante, um refrão muito bom e uma dinâmica entre vocais e instrumental perfeita.

No mais, o nome do KRAKKENSPIT merece ser acompanhado com toda atenção.

Nota: 87%

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

“Fast” Eddie Clarke (* 05/10/1950 - + 10/01/2018).


Em 11/01/2018, o mundo do Metal e do Rock perdeu um de seus guitarristas mais importantes: aos 67 anos de idade, Edward Allan Clarke, mais conhecido como “Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista do MOTORHEAD entre 1976 e 1982, faleceu de pneumonia.

Fã de Eric Clapton e com um jeito mais voltado ao Rock clássico e ao Blues, a história de vida de Eddie veio a mudar quando se juntou a Lemmy Kilminster e Philthy Animal Taylor em 1976, começando a segunda formação do MOTÖRHEAD. E justamente esta formação veio a transformar o trio em um dos 3 pilares de sustentação do Metal, junto ao BLACK SABBATH e ao JUDAS PRIEST.

Lemmy, Eddie e Phill na clássica sessão de fotos da capa de “Ace of Spades”

Em seis anos com o grupo, Eddie gravou alguns dos maiores clássicos do Metal, que são “Motörhead”, “Overkill”, “Bomber”, “Ace of Spades”, o ao vivo “No Sleep ‘til Hammersmith” e “Iron Fist”. Seus riffs rápidos e sujos viriam a se tornar a base para os estilos extremos do Metal nos anos que viriam, bem como seus solos melodiosos influenciaram a muitos. Aliás, Eddie será um dos popularizadores da Fender Stratocaster no Metal, já que seu uso não era comum ao gênero por seus timbres.

Após sair do MOTÖRHEAD em 1982, Eddie fundou o FASTWAY junto com o baixista Pete Way (ex-UFO), fora outros trabalhos que vieram posteriormente. Ao mesmo tempo, também produziu bandas como ASSASSIN, o próprio MOTÖRHEAD em alguns de seus Singles (e também o álbum “Iron Fist”), TANK, PLASMATICS, entre outros.

Lemmy, Phill e Eddie.

“Fast” Eddie Clarke era o último membro da formação clássica do MOTÖRHEAD que ainda estava vivo. E a esta altura, já se junto a Lemmy e Phill para tomar umas, fumar uns cigarros e começar uma apresentação do outro lado.

NO CLASS FOREVER!

OM SHANTI, obrigado por todo seu legado, e Rock in Peace!







IRON MAIDEN - The Book of Souls: Live Chapter


Ano: 2017
Tipo: Ao Vivo (Duplo CD)
Nacional


Tracklist:

Disco 1:

1. If Eternity Should Fail (Sydney, Austrália)
2. Speed of Light (Cidade do Cabo, África do Sul)
3. Wrathchild (Dublin, Irlanda)
4. Children of the Damned (Montreal, Canadá)
5. Death or Glory (Breslávia, Polônia)
6. The Red and the Black (Tóquio, Japão)
7. The Trooper (San Salvador, El Salvador)
8. Powerslave (Trieste, Itália)

Disco 2:

1. The Great Unknown (Newcastle, UK)
2. The Book of Souls (Donington, UK)
3. Fear of the Dark (Fortaleza, Brasil)
4. Iron Maiden (Buenos Aires, Argentina)
5. Number of the Beast (Wacken, Alemanha)
6. Blood Brothers (Donington, UK)
7. Wasted Years (Rio de Janeiro, Brasil)


Banda:


Steve Harris - Baixo
Dave Murray - Guitarras
Adrian Smith - Guitarras
Janick Gers - Guitarras
Bruce Dickinson - Vocais
Nicko McBrain - Bateria


Ficha Técnica:

Steve Harris - Produção
Tony Newton - Produção, mixagem
Ade Emsley - Masterização
Stuart Crouch - Artwork
Hervé Monjeaud - Ilustrações
Anthony Dry - Ilustrações


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ser um gigante com história no Metal pode ser, muitas vezes, um imenso revés, já que quanto maior a banda em termos de popularidade, maior o nível de cobranças de público e crítica, e maior o peso da responsabilidade. E o IRON MAIDEN, maior nome do Metal mundial e maior divulgador do estilo, fez feio demais em “The Book of Souls: Live Chapter”, seu décimo-segundo e mais recente disco ao vivo.

Após o lançamento de “The Book of Souls”, mesmo os detratores do sexteto tiveram que aceitar que a banda parecia viver um bom momento em termos de criatividade. Mas ao lançar este ao vivo se percebe que a banda está, primeiramente, mal de gestão. Ou seja, quem gerencia e faz as escolhas em termos de produção de discos está totalmente perdido!

Não é preciso descrever o Heavy Metal tradicional que o grupo faz. Como dito acima, por ser o maior nome do gênero, pormenorizar a música deles seria mera burocracia para encher linguiças. O pior defeito do disco é o seu tracklist, ou seja, relação das músicas que estão nele.

Óbvio que por ter sido gravado em shows da “The Book of Souls World Tour”, a prevalência seria de canções do último álbum de estúdio (algo óbvio): seis canções dele, o que ocupa quase que metade do álbum em si. Sim, “The Book of Souls: Live Chapter” tem 15 canções, e como a produção/gestão parece ter fechado os olhos, faltou equilíbrio na dualidade músicas novas x músicas antigas, algo importante quando estamos tratando de discos ao vivo. Em comparação, “Live After Death” tem 20 canções (em sua versão com dois CDs), sendo quatro do disco divulgado naquela turnê (o clássico “Powerslave”), o que daria 4/5 para ser preenchido com canções de discos anteriores. E piora quando se percebe que a produção ignorou completamente músicas de “Seventh Son of a Seventh Son”, “No Prayer for the Dying” (tá certo que este é o mais fraco dos discos de estúdio do grupo, mas nenhuma canção dele?), absolutamente NADA da fase de Blaze Bayley (embora os fãs mais chorões não vejam isso como um problema), e nada de “Dance of Death”, “A Matter of Life and Death” ou “The Final Frontier”. É compreensível que certas músicas deveriam realmente estar no disco, como “The Number of the Beast” e “Iron Maiden”, mas como deixar canções como “Revelations”, “Flight of Icarus”, “Two Minutes to Midnight”, “Caught Somewhere in Time” ou “The Evil That Men Do”, só para citar algumas, de fora, e insistir em outras mais que manjadas como “Fear of the Dark”? Basta não encarar a Donzela de Ferro como uma religião (como muitos insistem em fazer no Brasil) e perceberão o que digo.

A sonoridade do disco em si não é ruim, mas deixa a desejar em alguns pontos. A crueza e energia que fluem são aquelas que conhecemos de shows, a bateria está com timbres excelentes, o baixo também, e os vocais ficaram bem audíveis, mas existem momentos em que as bases de guitarras ficam em volumes baixos e com timbres muito ruins, o que denuncia um mixagem longe do ideal. Novamente: estamos falando do IRON MAIDEN, logo, a estrutura financeira para montar uma qualidade sonora digna eles têm de sobra. Não se trata de fazer um disco com infinitos overdubs e obliterar a sensação de estarmos ouvindo um show ao vivo, mas de ter uma produção mais caprichada. Pelo menos, Kevin Shirley não está mais cuidando da produção sonora, o que já é um ponto positivo, e se forem fatos boatos que dizem que Steve faz questão de controlar tudo em estúdio, melhor seria para a banda que ele se dedicasse apenas a tocar e compor, como era nos tempos de Martin Birch.

O lado gráfico, indo na direção oposta, ficou ótimo. Além das belas ilustrações, as fotos da turnê são bem feitas, com takes excelentes, fora as informações sobre a turnê em si estarem no encarte.

Ao vivo, o sexteto funciona muito bem, como é de praxe.

Steve e Nicko se entendem bem na base rítmica, e a coesão que apresentam é algo absurdo, fruto de mais de 30 anos tocando juntos. As guitarras estão muito bem também, mostrando que Adrian, Dave e Janick se entendem bem (e parem de reclamar e jogarem a culpa de tudo nas costas de Janick, que se mostra um ótimo guitarrista ao vivo, bem como é um excelente compositor, logo, cresçam de uma vez, crianças! Esse choro já deu na paciência!). Já Bruce está bem, mas apresenta os velhos problemas de sempre, como a falta de fôlego em alguns momentos, algo claro em “The Trooper”, “Iron Maiden” e “Wasted Years” e em canções rápidas ou de tons muito altos (o que demonstra o quanto é importante um vocalista se cuidar e ter aulas de canto, já que talento é inútil se não for exercitado), mas ele pelo menos consegue fazer entre 50-70% do que ele faz em estúdio.

As versões ao vivo para as canções de “The Book of Souls” são muito boas (descontando os problemas da sonorização). “If Eternity Should Fail”, “Speed of Light” (essa está muito boa mesmo, com baixo e bateria dando um show), “Death or Glory”, “The Red and the Black”, “The Great Unknown” e “The Book of Souls” são bem legais, mas se enxerga um erro de gestão/produção ao perceber que a banda colocou duas músicas enormes (as duas últimas) em um mesmo ao vivo. Desperdício de espaço.

Nas músicas antigas que preenchem o restante do disco, mais uma vez: são aquelas velhas canções que mostram o quanto o IRON MAIDEN está contente em permanecer na sua zona de conforto, que já foram repetidas tantas vezes que a paciência acabou. O fanatismo de muitos aceita e defende, mas o bom senso denuncia como um golpe. E, além disso, se percebe a diminuição nos ritmos de “Iron Maiden” e “Wasted Years” em relação às originais, um recurso usado bastante por muitas bandas para aguentarem o tranco. Mas é muito bom poder ouvir canções como “Wrathchild”, “Children of the Damned” (um dos melhores momentos do disco, verdade seja dita, pena que os timbres das guitarras não está ajudando), “Powerslave”, e “The Number of the Beast” (mesmo com Bruce perdendo o fôlego vez por outra, o que espero de coração não ser um reflexo tardio do tumor que ele teve na garganta há alguns anos) e “Wasted Years”.

Já sei, já sei: os mais fanáticos dos fãs da Donzela de Ferro já estão de mimimi, revoltados e frustrados com minhas palavras nesta resenha... Imaginem a minha frustração e revolta com esse disco. Justo eu que, em 1983, fui introduzido nessa vida de Heavy Metal por eles... Eu canso de dizer que devo muito a Steve Harris, mas como crítico, preciso ser correto.

Sinceramente, prefiro ouvir o bom e velho “Live After Death” que perder mais tempo do que já perdi com “The Book of Souls: Live Chapter”.

O que me resta agora: torcer que o próximo disco da banda de estúdio (que provavelmente deve ser o último, se algumas entrevistas com Steve após o lançamento de “The Book of Souls” estiverem corretas) seja produzido por produtores jovens e ambiciosos como Andy Sneap, Jens Bogren ou Fredrik Nordström, e que eles tenham total liberdade para fazerem o que fizeram com ACCEPT, JUDAS PRIEST, SEPULTURA, AMON AMARTH, DRAGONFORCE e outros: lhes dar nova vida.

O IRON MAIDEN merece mais que isso…


Nota: 47%