terça-feira, 2 de janeiro de 2018

TCHANDALA - Resilience


Tipo: Full Length
Ano: 2017
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. The Flame
2. Labyrinth
3. Valley of Greed
4. Lamento do Velho Chico
5. Tears of River
6. Echoes Through the Fourth Dimension
7. Flatland
8. Shadows
9. Father’s Spirit
10. Caesar
11. Resilience
12. Echoes Through the Fourth Dimension


Banda:


Dejair Benjamim - Vocais, corais
Thamise Ducci - Guitarras
Rafael Moraes - Guitarras
Sandro Souza - Baixo
Pablo Rubino - Bateria, corais


Convidados:

Tim “Ripper” Owens - Vocais em “Caesar”
Iuri Sanson - Vocais em “Valley of Greed”
Renan Fontes - Vocais em “Echoes Through the Fourth Dimension”
Clarice Pawlow - Vocais em “Echoes Through the Fourth Dimension”
Dan Loureiro - Vocais adicionais em “The Flame”, corais
Luana D’Almeida - Vocais adicionais em “Caesar”, corais
Marcos Franco - Corais
Pedro Teles - Corais
Tnoy Souza - Teclados em “Echoes Through the Fourth Dimension”
Will Moreira - Teclados em “Caesar” e “Shadows”
Jack Ferreira - Teclados em “Father’s Spirit”


Ficha Técnica:

Tchandala, Marcos Franco, Dan Lourenço - Produção
Sérgio Basset,  Marcos Franco, Dan Loureiro - Mixagem, masterização
Marlon Delano - Arte gráfica


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/tchandala/ (Metal Media)



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer Metal no Brasil, em qualquer uma de suas muitas vertentes, é sempre uma prova de amor, como um casamento: existirão ótimos momentos, outros nem tanto, e mesmo as crises são constantes. É preciso ter resistência, paciência e querer muito fazer com que tudo dê certo. E resiliência (que significa a “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”) é uma das características do TCHANDALA, grupo de Aracaju (Sergipe), um veterano com 21 anos de muita labuta no underground. E não é mero acaso que o título do terceiro disco do grupo é “Resilience”.

A primeira coisa que salta os olhos é que o grupo deu uma leve modernizada em sua abordagem do Heavy Metal tradicional. Isso significa que o som do grupo continua pesado e melodioso, com aquele mesmo jeitão polido, mas com uma estética mais jovem e vigorosa. Existem momentos em que bumbos duplos aceleram, mas em geral, os ritmos são comportados. Existem também partes em que vários vocais participam ajudando as linhas principais. E sem mencionar as belas linhas melódicas das guitarras (que capricharam nos riffs e solos).

Ou seja, o quinteto continua com sua identidade musical característica, mas mostrando que não vai cair no comodismo.

A produção de “Resilience” é bem caprichada, permitindo que a banda soe clara e de forma que o ouvinte compreenda o trabalho deles sem esforços. Mas ao mesmo tempo, aquela dose de peso e agressividade necessária está presente, bem como a energia flui das músicas de forma espontânea.

No tocante ao lado gráfico, a arte da capa é muito bela, e além disso, houve um capricho muito grande na diagramação, de forma que as imagens do encarte estivessem alinhavadas com o conteúdo de cada uma das letras.

Musicalmente, o TCHANDALA vem mais pesado que antes. Os arranjos ficaram mais trabalhados, mas sem que o lado melodioso ficasse comprometido. Além disso, a banda sempre teve um lado mais acessível que continua presente, mesmo embaixo de tanto peso. E os convidados, listados no início dessa resenha, dão um toque a mais de classe ao disco.

Nas 12 faixas de “Resilience”, o grupo se mostra em uma fase muito criativa, se destacando na sedução melodiosa de “The Flame” (uma canção não muito veloz, recheada de boas guitarras, um refrão grudento e teclados providenciais), a pesada e demolidora de pescoços “Labyrinth” (a base rítmica está ótimas, com boas mudanças rítmicas e técnica muito boa), a sinuosa e agressiva “Valley of Greed” e seu dinamismo (ajudado pela participação dos vocais de Iuri, ex-HIBRIA), o tema incidental “Lamento do Velho Chico” que introduz a causticante “Tears of River” e sua energia crua, e nas letras se percebe um manifesto ecológico (Velho Chico um apelido dado ao Rio São Francisco, que faz fronteira entre Alagoas e Sergipe, e que anda tendo problemas por causa do destrato humano com a natureza), e no final, um pouco de música regional do Nordeste do Brasil está inserido; a belíssima e envolvente “Echoes Through the Fourth Dimension” e seus lindos vocais (fora Dejair, ainda estão presentes Renan Fontes e Clarice Pawlow, que formam a dupla WRITE ME A LETTER, dando uma canja bonita), o peso cavalar e elaborado de “Flatland” e “Shadows”, a pancadaria explosiva que se ouve em “Caesar” (onde Tim “Ripper” Owens dá uma canja e participa nos vocais) e em “Resilience”, ambas com ótimos vocais e guitarras faiscando. E fechando, uma linda versão acústica para “Echoes Through the Fourth Dimension”, que ficou absurdamente linda, mostrando a versatilidade do grupo.

No mais, o TCHANDALA se mostra vivo e disposto para encarar novos desafios. E “Resilience” certamente os levará a outro patamar.

Nota: 88%